Quinta-feira, Janeiro 03, 2008

O Retorno do Blog

Amigos,
quando me mudei de São Carlos para São Paulo, uma das poucas coisas que perdi foi o livro "O Centro Espírita". Não tenho o hábito de ler pela tela do computador, e sempre preferi ler no papel onde posso sublinhar,anotar, etc. O livro já estava todo anotado, o que me ajudava nas postagens.

Tentei continuar usando o link do livro, e imprimindo cada capítulo, mas não foi possível.

Só na última semana eu, finalmente, consegui tempo para ir a uma livraria espírita e comprar um novo exemplar.

Desse modo daqui a 15 dias, em 17/1/2008, vou retomar a análise do livro O Centro Espírita, de onde eu parei.

Feliz Ano Novo a todos!!!!!

Domingo, Setembro 02, 2007

O CENTRO ESPÍRITA - CAPÍTULO II

OS SERVIÇOS DO CENTRO
O segundo capítulo começa com Herculano nos informando, de maneira sucinta, quais são os serviços de um Centro Espírita, tanto para os encarnados como para os desencarnados:

No desempenho da sua função, o Centro Espírita é sobretudo, um centro de serviços ao próximo, no plano propriamente humano e no plano espiritual. O ensino evangélico puro, as preces e os passes, o trabalho de doutrinação representam um esforço permanente de esclarecimento e orientação de espíritos sofredores de suas vítimas humana, que geralmente são comparsas necessitados da mesma assistência.


A seguir fala da importância do trabalho de assistência aos desencarnados, do trabalho mediúnico e da doutrinação. Lembra-nos que o Bem é contagiante, que se libertarmos um obsidiado na Terra também o faremos no mundo espiritual. E, cada espírito libertado pelo Bem será um assistente da grande batalha pelo esclarecimento geral:

Alegam alguns que os espíritos perturbados são assistidos no próprio plano espiritual. Mas Jesus, por acaso, deixou de assistir aos espíritos necessitados, aqui mesmo, na Terra?


Os espíritos desencarnados ainda apegados à matéria sentem maior segurança quando atendidos por encarnados.

As sessões espíritas de doutrinação e desobsessão provaram sua eficácia desde Kardec até os nossos dias, enquanto as opiniões contrárias não se firmam senão em opiniões pessoais, palpites deduzidos de falsos raciocínios, por falta de real conhecimento desse grave problema.


Centros espíritas bem orientados não se deixam levar por opiniões pessoais. Aqueles que acham que apenas os Espíritos Superiores deveriam ter permissão para se manifestar em sessões mediúnicas ignoram os objetivos assistenciais das mesmas, revelam seu próprio egoísmo e ignoram que tal pretenção afasta das sessões os espíritos que arrogantemente pretendem atrair, vez que Espíritos Superiores são atraídos por sessões mediúnicas que visam o Amor ao próximo e a prática do Bem.

As comunicações dos Espíritos Superiores são dadas no momento preciso, mesmo em meio do aparente tumulto das sessões de desobsessão. Ë muito agradável recebermos comunicações elevadas de Espíritos Superiores, mas só as merecemos depois de cuidarmos com atenção e abnegação dos Espíritos Sofredores. Quando recusamos essas oportunidades redentoras os Superiores se afastam e o campo fica aberto aos mistificadores, como o sabem, muitas vezes por duras experiências próprias, os que procuram acomodar-se na benção sem merecimento.


Trata a seguir dos serviços de assistência social.

Começa por colocar que os Centros Espíritas tem o dever da caridade, tanto a espiritula como a material.

Embora reconheça como ideal que o Centro Espírita auxilie organizações de assistência social de forma organizada, reconhece que em sua maioria os centros não tem condições de assim agir. Dessa forma devem praticar a caridade possível, no amparo aos necessitados.

O Centro Espírita é instrumento de ação imediata e age de acordo com as necessidades urgentes. Sem o atendimento a essas necessidades, as vítimas da injustiça social não poderão esperar as brilhantes realizações futuras. Como ensinou Kardec, devemos esperar que as utopias se tornem realidades, para depois as aceitarmos. As pessoas que censuram esse esforço de ajuda aos necessitados, defendendo ideais de reforma social, alienam-se da cruciante realidade em que vegetam os que não dispõem de meios para o próprio sustento.


Como se vê a caridade material é um dever espírita.

A evolução social depende da evolução dos homens, que constituem e formam os organismo sociais. E pelo exemplo de fraternidade e não pela violência que podemos melhorar o mundo.


Mais uma vez o exemplo do Amor é colocado como forma ideal de modificação social da Terra.

Por fim, encerra seus apontamentos sobre o assunto lembrando o quanto o auxílio à diminuição a miséria pode significar de auxílio eficaz na diminuição da violência.

A última parte do capítulo é dedicada aos trabalhos educativos do Centro Espírita. Especialmente nos trabalhos que visem a educação dos espíritos dos espíritas.

O espírita não pode pensar apenas na sua realidade imediata. A consciência de si mesmo na busca da transcendência é o objetivo do espírito.
O ser humano assume a responsabilidade da busca e só existe realmente superando as fases inconsciente do seu desenvolvimento, na medida exata em que sabe o que quer e porque o quer.


Assim como a conquista material do plano animal se transforma na conquista do conhecimento de si mesmo e do seu destino transcendente, todas as demais atividades do homem levam à consciência, o que dá ao ser a sua unidade. Consciente dessa unidade interna, o homem supera então a multiplicidade da sua própria estrutura e do mundo. Revela-se nele a centelha divina da sua origem espiritual. Ele compreende que é espírito e que esse espírito não pode desfazer-se morte, pois a sua essência é indestrutível e eterna. Esse é o momento espírita da redenção, em que o espírita capta a sua imortalidade em sua própria consciência e muda a 0maneira de ser diante do mundo ilusório e transitório.


Como se vê o serviço de educação do espírito, do conhecimento de si próprio é dos mais relevantes serviços que um Centro Espírito pode prestar.

Em resumo, Herculano nos leva às seguintes conclusões a respeito dos serviços do Centro Espírita.

Como se vê, o Centro Espírita é realmente um centro de convergência de toda a dinâmica doutrinária. Nele iniciam-se os neófitos, revelam-se os médiuns, comunicamse
os Espírito, educam-se crianças e adultos, libertam-se os obsedados, estuda-se a Doutrina em seus aspectos teóricos e práticos promove-se a assistência social a todos os necessitados, sem imposições e discriminações, cultiva-se a fraternidade pura que abre os portais do Futuro.


Finalmente, conclui de forma lapidar:

Os serviços mais urgentes de cada Centro são os de instrução doutrinária de velhos e novos adeptos, tanto uns como outros carentes de conhecimento doutrinário. Bem executado esse serviço, todos os demais serão feitos com mais facilidade.

O conhecimento doutrinário, o estudo constante, auto-conhecimento e aplicação prática de tais conhecimentos fazem com que haja real harmonia e união entre os frequentadores e trabalhadores do Centro Espírita e, isso leva realmente à facilidade na execução dos serviços.

Quinta-feira, Agosto 30, 2007

Peço descupa a todos pela interrupção dos estudos.
Fui transferida no emprego, e tive de providenciar mudança, me adaptar ao novo ambiente de trabalho e às suas novas condições.
O que fez com que eu precisasse diminuir meu tempo de internet e, também tivesse de reorganizar meus horários de estudo.

Neste final de semana retomarei o estudo do livro, com a postagem dos comentários do capítulo 2.

Espero continuar a contar com a atenção de vocês.

Beijos

Valéria

Quarta-feira, Junho 20, 2007

O CENTRO ESPÍRITA – CAPÍTULO 1

FUNÇÃO E SIGNIFICADO

O primeiro capítulo do livro trata, como seu título indica, da função e significado do centro espírita.

Podemos distinguir neste capítulo várias secções em que o autor descreve não só sua organização material como também suas funções no aspecto moral, educativo e científico, o que resulta na sua definição geral.

Segundo Herculano:

“Podemos figurá-lo como um espelho côncavo em que todas as atividades doutrinárias se refletem se unem, projetando-se conjugadas no plano social geral, espírita e não espirita.”


Segue, no mesmo parágrafo, lembrando a recomendação de Kardec de que é preferível vários centros espíritas pequenos e modestos a um só grande e suntuoso. Isso propicia a criação de um ambiente fraternal que atrai pessoas realmente interessadas no conhecimento doutrinário e fortalece a união do grupo em que todos são considerados colaboradores necessários.

A seguir afasta com decisão a objeção comumente levantada ao funcionamento de um centro espírita em casas de família, informando que tais grupos costumam ser mais coesos e harmônicos, como segue:
“Muitos Centros Espíritas surgiram do desenvolvimento de grupos familiais, desligando-se mais tarde da residência em que formara. A alegação de que a casa fica infestada ou coisas semelhantes é contraditada pela experiência. Um trabalho de amor ao próximo, feito com sinceridade e intenções elevadas, conta com a proteção dos Espíritos benevolentes e a própria defesa de suas boas intenções.. Os Centros oriundos de grupos familiares mostram-se mais coesos e mais abertos conservando e seiva fraterna de sua origem. É esse o clima de que necessitam os trabalhos doutrinários.”


Dentre as recomendações de ordem material destaco duas: a primeira quanto à que seja instalado preferencialmente em sede própria, ainda que modesta; a segunda pela definição em seus estatutos de suas funções como sendo:
“estudo e prática da Doutrina, divulgação e orientação dos interessados, serviço assistencial aos espíritos sofredores e às pessoas perturbadas, sempre segundo o Codificação de Allan Kardec. Sem Kardec não há Espiritismo”

Ressalta, nos parágrafos seguintes, a necessidade que dirigentes, auxiliares e freqüentadores de um centro espírita estudem e apliquem na casa espírita os ensinamentos de Kardec. Lembra ainda o perigo da vaidade e do orgulho para as atividades espíritas.

Nos parágrafos finais nos lembra que o Espiritismo é também ciência, inclusive no que tange ao estudo do Evangelho. E, da importância do centro espírita propiciar a real educação evangélica, com o uso da “pesquisa histórica das origens cristãs, o método analítico-positivo de estudo histórico e o método lógico-comparativo de textos.”


Prossegue nos lembrando que havia a prática do culto pneumático (mediunismo) nas primeiras comunidades cristãs, posteriormente suprimido quando da organização da igreja, como coisa diabólica.

Por fim, ressalta que tais coisas são normalmente estudadas num centro espírita bem organizado e define o significado de um:
“O Centro Espírita significa, assim, uma fortaleza espiritual da grande batalha para o restabelecimento da verdade cristã na Terra. Mas tudo isso deve ser encarado de maneira racional e não mística, no Centro Espírita. Ninguém está ali investido de prerrogativas divinas, mas apenas de obrigações humanas.”


A última frase, mais uma vez, servindo como alerta a todos, mas, especialmente a médiuns, dirigentes e trabalhadores a respeito do perigo da vaidade e do orgulho. Bem como a todos nós do perigo que envolve o trabalhador espírita que se crê investido de prerrogativas divinas e não de obrigações humanas.

Quarta-feira, Junho 13, 2007

O CENTRO ESPÍRITA - Introdução

Na introdução ao livro “O Centro Espírita” Herculano Pires começa por afirmar o desconhecimento da maioria dos espíritas sobre o significado real do Centro Espírita, conforme segue:

“Se os espíritas soubessem o que é o Centro Espírita, quais são realmente a sua função e a sua significação, o Espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da Terra. Temos no Brasil.
– e isso é um consenso universal – o maior, mais ativo e produtivo movimento espírita do planeta. A expansão do Espiritismo em nossa terra é incessante e prossegue em ritmo acelerado. Mas o que fazemos, em todo este vasto continente espírita, é um imenso esforço de igrejificar o Espiritismo, de emparelhá-lo com as religiões.
decadentes e ultrapassadas, formando por toda parte núcleos místicos e portanto fanáticos, desligados da realidade imediata.”


Tece a seguir severa crítica aos espíritas que organizam os centros nos moldes das antigas religiões cristãs organizadas, afirmando que se tornaram meras cópias das várias igrejas cristãs, com foco maior nas práticas místicas, na caridade material esmoler, na oração “pedinchona” e não na real melhoria íntima que advém do estudo e da prática da Doutrina.

Prossegue afirmando que:

“Jesus ensinou a orar e vigiar, recomendou o amor e a bondade, pregou a humanidade, mas jamais aconselhou a viver de orações e lamúrias , santidade fingida, disfarçada em vãs aparências de humildade, que são sempre desmentidas pelas ambições e a arrogância incontroláveis do homem terreno. Para restabelecemos a verdade espírita entre nós e reconduzirmos o nosso movimento a uma posição doutrinária digna e coerente, é preciso compreender que a Doutrina Espírita é um chamado viril à dignidade humana, à consciência do homem para deveres e compromissos no plano social e no plano espiritual, ambos conjugados em face das exigências da lei superior da Evolução Humana. Só nos aproximaremos da Angelitude, o plano superior da Espiritualidade, depois de nos havermos tornado Homens.”
(destaques meus)

Na seqüência nos informa que os espíritas estão, na linha evolutiva espiritual, em condições de alcançarem a angelitude, desde que tenham a necessária compreensão doutrinária e a vontade real e profunda que afeta toda a sua estrutura individual. O grande perigo é a ilusão do misticismo que muitas vezes causa a estagnação pessoal. A grande aliada a essa evolução é a razão.

Entretanto, Herculano também nos alerta que o cientificismo exacerbado é tão perigoso para a real compreensão doutrinária como o misticismo.

Por fim, no último parágrafo da Introdução, ele nos esclarece que o objetivo da obra é constituir-se em um estudo sobre “as origens, o sentido e sua significação no panorama atual”. Termina com um alerta muito importante:

“Os que desejam atualizar a Doutrina, devem antes cuidar de se atualizarem nela.”


Hoje, mais do que nunca, as palavras finais da introdução deste livro se mantêm atuais. Se a base doutrinária não fala de forma específica sobre assuntos ou situações inexistentes, ou pouco ventilados, há 150 anos atrás, nem por isso deixa de nos fornecer elementos para pensarmos sobre tais assuntos sob a óptica espírita. Portanto, urge que conheçamos, estudemos e apliquemos a base da Doutrina Espírita: Kardec.

Sandálias Semeadoras

O Centro Espírita nasceu
das sandálias de Jesus,
que nunca, nunca morreu
nem de lança, nem na cruz.

Jesus desapareceu
para os vaidosos da Terra,
mas logo reapareceu
para a gente de sua terra.

As sandálias de Jesus
nunca deixaram de andar,
sozinhas, cheias de luz,
para as trevas espantar.

Essas sandálias vazias
vão por caminhos e ruas,
sem festas nem fantasias,
sob sóis e sob luas.

Param humildes e calmas
na soleira de uma porta,
batem solas como palmas,
entram por baixo da porta.

Há desespero e aflição.
Quem sofre e geme lá dentro?
As sandálias já se vão,
mas fica na casa um CENTRO.

Este poema, de autoria de Herculano Pires, serve de epígrafe para o livro "O Centro Espírita" cujo estudo começamos hoje.

Quarta-feira, Junho 06, 2007

Biografia do Prof. José Herculano Pires

Como começaremos a analisar o livro "O Centro Espírita" do Prof. Herculano Pires, segue abaixo a biografia deste grande estudioso da Doutrina Espírita.

José Herculano Pires, nasceu na cidade de Avaré, no estado de São Paulo a 25/09/1914, e desencarnou nesta capital em 09/03/1979.



Filho do farmacêutico José Pires Correia e da pianista Bonina Amaral Simonetti Pires.

Fez seus primeiros estudos em Avaré, Itaí e Cerqueira César.

Revelou sua vocação literária desde que começou a escrever.

Aos 9 anos fez o seu primeiro soneto, um decassílabo sobre o Largo São João, da sua cidade natal.

Aos 16 anos publicou seu primeiro livro, "Sonhos Azues" (contos), e aos 18 anos o segundo livro, "Coração" (poemas livres e sonetos).

Já possuía seis cadernos de poemas na gaveta, colaborava nos jornais e revistas da época, da província de São Paulo e do Rio.

Teve vários contos publicados com ilustrações na Revista da Semana e no Malho.

Foi um dos fundadores da União Artística do Interior (UAI), que promoveu dois concursos literários, um de poemas pela sede da UAI em Cerqueira César, e outro de contos pela Seção de Sorocaba.

Mário Graciotti o incluiu entre os colaboradores permanentes da seção literária de A Razão, em São Paulo, que publicava um poema de sua autoria todos os domingos.

Transformou (1928) o jornal político de seu pai em semanário literário e órgão da UAI.

Mudou-se para Marília em 1940 (com 26 anos), onde adquiriu o jornal "Diário Paulista" e o dirigiu durante seis anos.

Com José Geraldo Vieira, Zoroastro Gouveia, Osório Alves de Castro, Nichemaja Sigal, Anthol Rosenfeld e outros promoveu, através do jornal, um movimento literário na cidade e publicou "Estradas e Ruas" (poemas) que Érico Veríssimo e Sérgio Millet comentaram favoravelmente.

Em 1946 mudou-se para São Paulo e lançou seu primeiro romance, "O Caminho do Meio", que mereceu críticas elogiosas de Afonso Schimidt, Geraldo Vieira e Wilson Martins.

Repórter, redator, secretário, cronista parlamentar e crítico literário dos Diários Associados. Exerceu essas funções na Rua 7 de Abril por cerca de trinta anos.

Autor de 81 livros de Filosofia, Ensaios, Histórias, Psicologia, Pedagogia, Parapsicologia, Romances e Espiritismo, vários em parceria com Chico Xavier, sendo a maioria inteiramente dedicada ao estudo e divulgação da Doutrina Espírita...

Lançou a série de ensaios Pensamento da Era Cósmica e a série de romances e novelas de Ficção Científica Paranormal.

Alegava sofrer de grafomania, escrevendo dia e noite. Não tinha vocação acadêmica e não seguia escolas literárias.

Seu único objetivo era comunicar o que achava necessário, da melhor maneira possível.

Graduado em Filosofia pela USP em 1958, publicou uma tese existencial: "O Ser e a Serenidade".

De 1959 a 1962, exerceu a cadeira de filosofia da educação na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara.

Foi membro titular do Instituto Brasileiro de Filosofia, seção de São Paulo, onde lecionou psicologia.

Foi presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo de 1957 a 1959.

Foi professor de Sociologia no curso de jornalismo ministrado pelo Sindicato.

José Herculano Pires foi presidente e professor do Instituto Paulista de Parapsicologia de São Paulo.

Organizou e dirigiu cursos de Parapsicologia para os Centros Acadêmicos: da Faculdade de Medicina da USP, da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, da Escola Paulista de Medicina e em diversas cidades e colégios do interior.

Fundou o Clube dos Jornalistas Espíritas de São Paulo em 23/01/1948. O Clube funcionou por 22 anos.

Herculano foi membro da Academia Paulista de Jornalismo onde ocupou a Cadeira "Cornélio Pires" em 1964.

Herculano pertenceu também a União Brasileira de Escritores, onde exerceu o cargo de Diretor e Membro do Conselho no ano de 1964.

José Herculano Pires foi Chefe do Sub-Gabinete da Casa Civil da Presidência da República no governo do Sr. Jânio Quadros no ano de 1961, onde permaneceu até a renuncia do mesmo.

Espírita desde a idade de 22 anos não poupou esforço na divulgação falada e escrita da Doutrina Codificada por Allan Kardec, tarefa essa à qual dedicou a maior parte da sua vida.

Durante 20 anos manteve uma coluna diária de Espiritismo nos Diários Associados com o pseudônimo de Irmão Saulo.

Durante quatro anos manteve no mesmo jornal uma coluna em parceria com Chico Xavier sob o título "Chico Xavier pede Licença".

Foi Diretor fundador da revista "Educação Espírita" publicada pela Edicel.

Em 1954 publicou Barrabás, que recebeu um prêmio do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo, constituindo o primeiro volume da Trilogia Caminhos do Espírito.

Publicou em 1975, Lázaro e com o romance Madalena concluiu a Trilogia.

Traduziu cuidadosamente as obras da Codificação Kardecista enriquecendo-as com notas explicativas nos rodapés.

Essas traduções foram doadas a diversas editoras espíritas no Brasil, Portugal, Argentina e Espanha.

Colaborou com o Dr. Júlio Abreu Filho na tradução da Revista Espírita. Ao desencarnar deixou vários originais os quais vêm sendo publicados pela Editora Paidéia.

Quarta-feira, Maio 16, 2007

Da Prece - primeira parte

658. A prece é agradável a Deus?
-- A prece é sempre agradável a Deus, quando ditada pelo coração, porque a intenção é tudo para Ele. A prece do coração é preferível à que podes ler, por mais bela que seja, se a leres mais com os lábios do que com o pensamento. A prece é agradável a Deus quando é proferida com fé, com fervor e sinceridade. Não creias, pois, que Deus seja tocado pelo homem vão, orgulhoso e egoísta, a menos que a sua prece represente um ato de sincero arrependimento e de verdadeira humildade.

659. Qual o caráter geral da prece?
-- A prece é um ato de adoração. Fazer preces a Deus é pensar nEle, aproximar-se dEle, pôr-se em comunicação com Ele. Pela prece podemos fazer três coisas: louvar, pedir e agradecer.

660. A prece torna o homem melhor?
-- Sim, porque aquele que faz preces com fervor e confiança se torna mais forte contra as tentações do mal, e Deus lhe envia bons Espíritos para o assistir. É um socorro jamais recusado, quando o pedimos com sinceridade.

660-a. Como se explica que certas pessoas que oram muito sejam, apesar disso, de muito mau caráter, ciumentas, invejosas, implicantes, faltas de benevolência e de indulgência: que sejam até mesmo viciosas?
-- O essencial não é orar muito, mas orar bem. Essas pessoas julgam que todo o mérito está na extensão da prece e fecham os olhos para os seus próprios defeitos. A prece é para elas uma ocupação, um emprego do tempo, mas não um estudo de si mesmas. Não é o remédio que é ineficaz, neste caso, mas a maneira de aplicá-lo.

661. Pode-se pedir eficazmente a Deus o perdão das faltas?
-- Deus sabe discernir o bem e o mal: a prece não oculta as faltas. Aquele que pede a Deus o perdão de suas faltas não o obtém se não mudar de conduta. As boas ações são a melhor prece, porque os atos valem mais do que as palavras.

662. Pode-se orar utilmente pelos outros?
-- O Espírito daquele que ora está agindo pela vontade de fazer o bem. Pela prece, atrai a ele os bons Espíritos que se associam ao bem que deseja fazer.
Possuímos em nós mesmos, pelo pensamento e a vontade, um poder de ação que se estende muito além dos limites de nossa esfera corpórea. A prece por outros é um ato dessa vontade. Se for ardente e sincera, pode chamar os bons Espíritos em auxílio daquele por quem pedimos, a fim de lhe sugerirem bons pensamentos e lhe darem a força necessária para o corpo e a alma. Mas ainda nesse caso a prece do coração é tudo e a dos lábios não é nada.

663. As preces que fazemos por nós mesmos podem modificar a natureza das nossas provas e desviar-lhes o curso?
-- Vossas provas estão nas mãos de Deus e há as que devem ser suportadas até o fim, mas Deus leva sempre em conta a resignação. A prece atrai a vós os bons Espíritos, que vos dão a força de as suportar com coragem. Então elas vos parecem menos duras. Já o dissemos: a prece nunca é inútil, quando bem feita, porque dá força, o que já é um grande resultado. Ajuda-te a ti mesmo e o céu te ajudará; tu sabes disso. Aliás, Deus, não pode mudar a ordem da Natureza ao sabor de cada um, porque aquilo que é um grande mal, do vosso ponto de vista mesquinho, para a vossa vida efêmera, muitas vezes é um grande bem na ordem geral do Universo[47]. Além disso, de quantos males o homem é o próprio autor, por sua imprevidência ou por suas faltas! Ele é punido pelo que pecou. Não obstante, os vossos justos pedidos são em geral mais escutados do que julgais. Pensais que Deus não vos ouviu, porque não fez um milagre em vosso favor, quando entretanto vos assiste por meios tão naturais que vos parecem o efeito do acaso ou da força das coisas. Freqüentemente, ou o mais freqüentemente, ele vos suscita o pensamento necessário para sairdes por vós mesmos do embaraço.

664. É inútil orar pelos mortos e pelos Espíritos sofredores, e nesse caso como podem as nossas preces lhes proporcionar consolo e abreviar os sofrimentos? Têm elas o poder de fazer dobrar-se a justiça de Deus?
-- A prece não pode ter o efeito de mudar os desígnios de Deus, mas a alma pela qual se ora experimenta alívio, porque é um testemunho de interesse que se lhe dá e porque o infeliz é sempre consolado, quando encontra almas caridosas que compartilham as suas dores. De outro lado, pela prece provoca-se o arrependimento, desperta-se o desejo de fazer o necessário para se tornar feliz. É nesse sentido que se pode abreviar a sua pena, se do seu lado ele contribui com a sua boa vontade. Esse desejo de melhora, excitado pela prece, atrai para o Espírito sofredor os Espíritos melhores que vêm esclarecê-lo, consolá-lo e dar-lhe esperanças. Jesus orava pelas ovelhas transviadas. Com isso vos mostrava que sereis culpados se nada fizerdes pelos que mais necessitam.

665. Que pensar da opinião que rejeita a prece pelos mortos, por não estar prescrita nos Evangelhos?
-- O Cristo disse aos homens: amai-vos uns aos outros. Essa recomendação implica também a de empregar todos os meios possíveis de testemunhar afeição aos outros, sem entrar, entretanto, em nenhum detalhe sobre a maneira de atingir o objetivo. Se é verdade que nada pode desviar o Criador de aplicar a justiça, que é inerente a Ele mesmo, a todas as ações do Espírito, não é menos verdade que a prece que lhe dirigis, em favor daquele que vos inspira afeição, é para este um testemunho de recordação que não pode deixar de contribuir para aliviar os seus sofrimentos e o consolar. Desde que ele revele o mais leve arrependimento, e somente então, será socorrido: mas isso não o deixará jamais esquecer que uma alma simpática se ocupou dele e lhe dará a doce crença de que essa intercessão lhe foi útil. Disso resulta necessariamente, de sua parte, um sentimento de afeição por aquele que lhe deu essa prova de interesse e de piedade. Dessa maneira, o amor recomendado aos homens pelo Cristo desenvolveu-se e aumentou entre eles, e ambos obedeceram à lei de amor e de união de todos os seres, lei divina que deve conduzir à unidade, objetivo e fim do Espírito[48].


666. Podemos orar aos Espíritos?
-- Podemos orar aos bons Espíritos, como sendo os mensageiros de Deus e os executores de seus desígnios, mas o seu poder está na razão da sua superioridade e decorre sempre do Senhor de todas as coisas, sem cuja permissão nada se faz; eis porque as preces que lhes dirigimos só são eficazes se forem agradáveis a Deus.

O Livro dos Espíritos - Livro 3, Cap. 2 - Da Prece


Notas do Tradutor:
47: Espinosa dizia que "Deus age segundo unicamente as leis de sua natureza, sem ser constrangido por ninguém" (Proposição XVII da "Ética), e afirmava a impossibilidade do milagre, por ser uma violação das leis de Deus. Também no tocante aos males individuais, alegava que eles não existiam na ordem geral do Universo.

48: Resposta dada pelo Espírito do Sr. Monod, pastor protestante de Paris, falecido em abril de 1856. A resposta precedente, número 664, é do Espírito de São Luís.

Observação: o texto em negrito e itálico é um comentário de Kardec à resposta dada pelos espíritos.

Terça-feira, Abril 24, 2007

Os Bons Espíritas

O Espiritismo bem compreendido, mas, principalmente, bem sentido, forçosamente conduz aos resultados acima mencionados, que caracterizam o verdadeiro espírita,assim como o verdadeiro cristão, porquanto um e outro agem da mesma forma.

O Espiritismo não cria nenhuma nova moral, ele facilita aos homens a compreensão e a prática da moral do Cristo, dando uma fé sólida e esclarecida àqueles que duvidam ou vacilam.

Muitos dos que acreditam nos fatos das manifestações, no entanto, não compreendem as suas conseqüências nem o seu alcance moral, ou, se os compreendem, não os aplicam a si mesmos. Por que isso acontece? Por uma falta de clareza da Doutrina? Não, visto que ela não contém alegorias, nem figuras que possam dar lugar a falsas interpretações; a clareza é a sua própria essência, é o que lhe dá poder, porque ela vai direto à inteligência. Nada tem de misterioso, e seus iniciados não são possuidores de nenhum segredo escondido ao povo.

Seria, então, necessária uma inteligência fora do comum para compreendê-la? Não, pois vêem-se homens de uma capacidade notória que não a compreendem, enquanto que inteligências vulgares, de jovens mesmo, apenas saídos da adolescência, aprendem com uma admirável justeza os seus detalhes mais delicados. Isso ocorre porque a parte, de alguma forma, material, da ciência só requer olhos para observar, enquanto que a parte essencial necessita de um certo grau de sensibilidade, que se pode chamar de maturidade do senso moral, maturidade independente da idade e do grau de instrução, porque é inerente ao desenvolvimento, em um sentido especial, do espírito encarnado.

Em algumas pessoas, os laços da matéria são ainda muito fortes, para permitir ao espírito desligar-se das coisas da Terra; a obscuridade que as cerca tira-lhes a visão do infinito; eis por que não conseguem romper facilmente nem com seus gostos, nem com seus hábitos, pois não entendem que possa haver algo melhor do que aquilo que possuem. A crença nos espíritos é para elas um simples fato, que nada ou pouco modifica suas tendências instintivas; em uma palavra, elas só vêem um raio de luz, insuficiente para conduzi-las e dar-lhes uma aspiração profunda, capaz de vencer suas inclinações. Ligam-se mais aos fenômenos do que à moral, que lhes parece banal e monótona. Pedem aos espíritos para iniciá-las incessantemente em novos mistérios, sem se perguntarem se já são dignas de penetrar os segredos do Criador. Tais pessoas são os espíritos imperfeitos, alguns dos quais ficam pelo meio do caminho ou se afastam dos seus irmãos de crença, porque recuam diante da obrigação de se reformarem, ou então reservam suas simpatias para aqueles que partilham suas fraquezas ou suas prevenções. Entretanto, a aceitação do princípio da Doutrina é um primeiro passo, que lhes tornar á mais fácil o segundo, em uma outra existência.

Aquele que pode, com razão, ser qualificado de verdadeiro e sincero espírita, encontra-se em um grau superior de adiantamento moral. O espírito já domina mais completamente a matéria e lhe dá uma percepção mais clara do futuro; os princípios da Doutrina nele fazem vibrar as fibras, que nos primeiros permanecem insensíveis; em uma palavra: foi tocado no coração, e por isso sua fé é inabalável. Um é como o músico, que se comove com os acordes, enquanto que o outro só ouve os sons. Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para dominar as suas más inclinações. Enquanto um se satisfaz no seu horizonte limitado, o outro, que compreende alguma coisa de melhor, se esforça para libertar-se dele, e sempre o consegue quando tem a vontade firme. (destaques meus)

Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo XVII - item 4

Quarta-feira, Abril 18, 2007

O Lviro dos Espíritos - 150 anos hoje

Há 50 anos atrás, quando O Livro dos Espíritos completou 100 anos, Herculano Pires escreveu um longo artigo com o título "100 anos de 'O Livro dos Espíritos'". O link para a íntegra de tal artigo é: http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/100-anos-de-ole.html

Transcreverei abaixo dois trechos do artigo.
Para os que tem "O Livro dos Espíritos" com tradução de Herculano Pires e editado pela LAKE, o artigo consta como introdução ao livro.


Introdução ao Livro dos Espíritos

Com este livro, a 18 e abril de 1857, raiou para o mundo a era espírita. Nele se cumpria a promessa evangélica do Consolador, do Paracleto ou Espírito da Verdade. Dizer isso equivale a afirmar que «O Livro dos Espíritos» é o código de uma nova fase da evolução humana. E é exatamente essa a sua posição na história do pensamento. Este não é um livro comum, que se pode ler de um dia para o outro e depois esquecer num canto da estante. Nosso dever é estudá-lo e meditá-lo, lendo-o e relendo-o constantemente.
Sobre este livro se ergue todo um edifício: o da doutrina espírita. Ele é a pedra fundamental do Espiritismo, o seu marco inicial. O Espiritismo surgiu com ele e com ele se propagou., com ele se impôs e consolidou no mundo. Antes deste livro não havia Espiritismo, e nem mesmo esta palavra existia. Falava-se em Espiritualismo e Neo-Espiritualismo, de maneira geral, vaga e nebulosa. Os fatos espíritas, que sempre existiram, eram interpretados das mais diversas maneiras. Mas, depois que Kardec o lançou à publicidade, «contendo os princípios da doutrina espírita», uma nova luz brilhou nos horizonte mentais do mundo.
Há uma seqüência histórica que não podemos esquecer, ao tomar este livro nas mãos. Quando o mundo se preparava para sair do caos das civilizações primitivas, apareceu Moisés, como o condutor de um povo destinado a traças as linhas de um novo mundo: e de suas mãos surgiu a Bíblia. Não foi Moisés quem a escreveu, mas foi ele o motivo central dessa primeira codificação do novo ciclo de revelações: o cristão. Mais tarde, quando a influência bíblica já havia modelado um povo, e quando este povo já se dispersava por todo o mundo gentio, espalhando a nova lei, apareceu Jesus: e das suas palavras, recolhidas pelos discípulos, surgiu o Evangelho.
A Bíblia é a codificação da primeira revelação cristã, o código hebraico em que se fundiram os princípios sagrados e as grandes lendas religiosas dos povos antigos. A grande síntese dos esforços da antiguidade em direção ao espírito. Não é de admirar que se apresente muitas vezes assustadora e contraditória, para o homem moderno. O Evangelho é a codificação da segunda revelação cristã, a que brilha no centro da tríada dessas revelações, tendo na figura do Cristo o sol que ilumina as duas outras, que lança a sua luz sobre o passado e o futuro, estabelecendo entre ambos a conexão necessária. Mas assim como, na Bíblia, já se anunciava o Evangelho, também neste aparecia a predição de um novo código, o do Espírito da Verdade, como se vê em João, XIV. E o novo código surgiu pelas mãos de Allan Kardec, sob a orientação do Espírito da Verdade, no momento exato em que o mundo se preparava para entrar numa fase superior de desenvolvimento.
Hegel, em suas lições de estética, mostra-nos as criações monstruosas da arte oriental, - figuras gigantescas, de duas cabeças e muitos braços e pernas, e outras formas diversas, - como a primeira tentativa do Belo para dominar a matéria e conseguir exprimir-se através dela. A matéria grosseira resiste à força do ideal, desfigurando-o nas suas representações. Mas acaba sendo dominada, e então aparecem no mundo as formas equilibradas e harmoniosas da arte clássica. Atingido, porém, o máximo de equilíbrio possível, o Belo mesmo rompe esse equilíbrio, nas formas românticas e modernas da arte, procurando superar o seu instrumento material, para melhor e mais livremente se exprimir. Essa grandiosa teoria hegeliana nos parece perfeitamente aplicável ao processo das revelações cristãs: das formas incongruentes e aterradoras da Bíblia, passamos ao equilíbrio clássico do Evangelho, e deste à libertação espiritual de «O Livro dos Espíritos».
Cada fase da evolução humana se encerra com uma síntese conceptual de todas as suas realizações. A Bíblia é a síntese da antiguidade, como o Evangelho é a síntese do mundo greco-romano-judaico,, e «O Livro dos Espíritos» a do mundo moderno. Mas cada síntese não traz em si tão somente os resultados da evolução realizada, porque encerra também os germens do futuro. E na síntese evangélica temos de considerar, sobretudo, a presença do Messias, como uma intervenção direta do Alto para a reorientação do pensamento terreno. É graças a essa intervenção que os princípios evangélicos passam diretamente, sem necessidade de readaptações ou modificações, em sua pureza primitiva, para as páginas deste livro, como as vigas mestras da edificação da nova era.

(...)


Estudos Futuros
Este, em linhas gerais, o livro que a 18 de Abril deste ano completou cem anos, e cujo primeiro centenário foi celebrado em todo o mundo civilizado, pelos adeptos do Espiritismo. Sua estrutura, como se vê, o coloca entre os tratados filosóficos, e seu conteúdo se relaciona com todos os aspectos fundamentais do conhecimento. Sua simplicidade aparente é tão ilusória como a da superfície tranqüila de um grande rio.
Como no «Discurso do Método», de Descartes, a clareza do texto pode enganar o leitor desprevenido. As coisas mais profundas e complexas aparecem na linguagem mais direta e simples, e a compreensão geral do livro só pode ser alcançada por aquele que for capaz de apreender todos os nexos entre os diversos assuntos nele tratados.
Até hoje, cem anos depois de sua publicação, «O Livro dos Espíritos» vem sendo lido e meditado, no mundo inteiro, mas pouco se tem cuidado de analisá-lo em suas múltiplas implicações e em sua mais profunda significação. Acreditamos que o segundo século do Espiritismo, que se iniciou neste ano, será assinalado por uma atitude mais consciente dos próprios espíritas em face deste livro, e que estudos futuros virão revelar, cada vez de maneira mais clara, o seu verdadeiro papel na história do conhecimento.
Para concluir, lembremos que sir Oliver Lodge, o grande físico inglês, uma das mais altas expressões de cultura científica do nosso tempo, considerou o Espiritismo, no seu livro sobre «A imortalidade pessoal», como «uma nova revolução copérnica». E Léon Denis, o sucessor de Kardec, legítima expressão da cultura francesa, proclamou no Congresso Espírita Internacional de Paris, em 1925, e no seu livro «Le Genie Celtique et le Monde Invisible», de 1927, que o Espiritismo tende a reunir e a fundir, numa síntese grandiosa, todas as formas do pensamento e da ciência.