sexta-feira, abril 27, 2012

Comentários a respeito do perdão


“Pai nosso que estas no céu, santificado seja o teu nome, venha a nós o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.”

                        A oração acima, o Pai Nosso, é bem conhecida por todos. Sua autoria é atribuída a Jesus pelos Evangelhos. Ela é recitada por todos aqueles que se dizem cristãos, sejam católicos, evangélicos, protestantes, e até mesmo espíritas.

                        Jesus, que é para muitos o guia e modelo da humanidade – para todos que se dizem cristãos – estabeleceu poucas regras de conduta em sua doutrina absurdamente simples e universal: Amor, Respeito e Perdão. Essas três palavras simples resumem tudo que ele ensinou.

                        Amor: E nisso todos conhecereis que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.
                        Respeito: Fazei ao próximo como quereis que vos façam, esta é a Lei e os Profetas.

                        Perdão: Não te digo que deveis perdoar 7 vezes mas, setenta vezes sete vezes.

                        Aquele que tiver uma oferta a fazer diante do altar e se lembrar que tem algo contra seu irmão, deixe a oferta e se reconcilie com seu irmão, depois volte e faça a oferta.

                        Quero a misericórdia e não o sacrifício.

                        ~~~~~~~~~
Como se pode ver Jesus por diversas vezes, e de formas diferentes, insistiu na necessidade da prática do perdão. Amor e Respeito são sentimentos mais simples, que o bom senso muitas vezes nos ajuda a praticar. Perdão é mais difícil, supõe uma maior humildade, maior aceitação da vontade de Deus e maior desprendimento.

                        Coloquei acima deste texto a versão do Pai Nosso que costumo fazer. Não é uma oração fácil, principalmente quando se presta atenção naquilo que se está dizendo. É uma oração que coloca na boca de quem a pronuncia alguns compromissos, que estão interligados.

                        Muitas pessoas pronunciam esta oração de outra forma, substituindo as palavras ofensas e ofendido por dívidas e devedores. Aparentemente nada de mais. Mas, isso pode encobrir uma armadilha, especialmente se a pessoa aceitar os ensinamentos sobre reencarnação.

                        A armadilha está em achar que dívidas e devedores se referem apenas a situações do pretérito e não do presente. Quando falamos do passado, realmente a locução dívidas e devedores é mais correta, pois trazemos de outras encarnações situações que devemos corrigir, que podem ser muito bem exemplificadas na figura da dívida a ser paga. Porém, nem sempre se tratam de dívidas que vem de outras encarnações, às vezes nem dívidas são, são apenas ofensas e pequenas atitudes que tomamos no dia a dia, ou que ocorrem conosco no dia a dia, e não sabemos relevar. Ofensas, insultos, palavras descuidadas, atos de indiferença ao sofrimento alheio, descuidos, julgamentos, entre muitas outras coisas. Nesse sentido as palavras ofensas e ofendidos são mais próprias e corretas.

                        Perdão não significa inação diante do mal, nem tão pouco indiferença. Significa evitar julgamentos precipitados de pessoas e situações, o uso da misericórdia no trato com aquele que praticou o ato e o ódio “ao pecado e não ao pecador”.

                        Infelizmente, tenho visto, lido e ouvido mais pessoas repudiando o pecador que o pecado. Uso a palavra pecador no sentido de “alguém que cometeu um ato errado”, que pode ou não ser criminoso. Não a uso no sentido religioso do termo.

                        O Evangelho Segundo o Espiritismo, no Capítulo XV, Instruções dos Espíritos, traz a seguinte observação feita pelo espírito Paulo: “Porque não basta uma virtude negativa, é necessário uma virtude ativa. Para fazer-se o bem, mister sempre existe a ação da vontade; para se praticar o mal, basta as mais das vezes a inércia e a negligência.”

                        Assim, não basta dizer que não odeia, é preciso amar; não basta dizer que não deseja o mal, é preciso perdoar consciente e voluntariamente. O perdão, como virtude que é precisa ser praticado ativamente.

                        Vejo pessoas emitindo julgamentos sobre fatos e pessoas que cometem crimes, e até cujos crimes sequer foram provados, exigindo punições severas, algumas pleiteiam até mesmo punir seus defensores, como se o defensor fosse responsável pelo ato daquele que representa. Outros dizem que o defensor também é criminoso pois recebe o pagamento com dinheiro oriundo de atos criminosos – e esquecem que muitos podem ter recebido pagamento de boa fé da mesma maneira, tais como donos de padaria, médicos, dentistas, etc. Outro dia perguntei a um amigo meu, que defendia tal tese: então você prefere pagar pela defesa? Ele me olhou espantado, e eu expliquei: ele pode pagar o advogado particular ou ser defendido por um advogado pago pelo Estado, cujo dinheiro vem dos impostos que pagamos. A resposta foi: quero que ele não tenha advogado nenhum, que seja julgado e condenado.  Quando observei que isso não é justiça mas vingança, e foge aos ensinamentos de Jesus, pois a lei de Talião foi revogada por ele, meu amigo ficou bastante abespinhado, principalmente quando completei que a atitude dele é bem menos cristã que a legislação brasileira.

                        A atitude do meu amigo não é isolada, é bastante comum em quase todas as pessoas, e mesmo eu quando deixo os sentimentos falarem mais alto que o conhecimento que tenho das leis humanas e divinas me pego tendo vontade de tratar a algumas pessoas da mesma forma como elas tratam ao mundo – e nesses momentos chego a lamentar que a Constituição Federal vete a pena de morte e de prisão perpétua. Geralmente, quando me acalmo vem aquele sentimento de vergonha combinado com culpa de alguém que sabe ter deixado os sentimentos de ódio, rancor, revolta, subirem a tona e falarem mais alto que o amor, a piedade e o perdão. Mea culpa, mea maxima culpa.

                        O perdão não é uma virtude fácil, exige desprendimento, prática diária, e vigilância constante. Costumo dizer que perdoar não é esquecimento, se fosse pessoas com mal de Alzheimer seriam evoluidíssimas. Perdoar é lembrar sem ódio, revolta ou desejo de mal. A lembrança é necessária até mesmo como forma de aprendizado de nossos erros e de prevenção de novos erros.

                        Como toda virtude não se começa a praticar o perdão por grandes ofensas, mas por pequenas. Não ficar reprisando na mente aquela discussão com o chefe, a mulher, o amigo, o filho, pensando em como deveria ter respondido para derrota-lo com seus argumentos; não ficar lembrando do garçom desatento ou grosseiro por vários dias, mas resolver o problema na hora, com educação; não ficar carregando dentro de si pequenas alfinetadas que todos recebemos no dia a dia, e que nem sempre conseguimos superar de forma real. Levamos uma fechada e queremos retribuir, recebemos uma ofensa e disparamos outra, vivemos ainda no “olho por olho” em nosso dia a dia. Sem lembrar que “olho por olho e acabaremos todos cegos”.

                        O Sermão da Montanha nos diz que da mesma forma como julgamos seremos julgados, pela mesma medida com que medimos seremos medidos. Se queremos que compreendam nossos erros e aceitem nossas desculpas devemos fazer o mesmo. Mesmo que seja um perdão interesseiro é uma forma de perdão e deve ser praticada.

                        Apenas quando já tivermos aprendido a perdoar pequenos atos, conseguiremos perdoar os maiores. Alguns dizem: jamais perdoaria o assassino de um filho ou o contrário, que certamente perdoaria. Antes de dizer isso veja se consegue perdoar o motorista do carro que lhe deu uma fechada, se nem isso você consegue, acha que perdoará algo muito maior e mais dolorido?

                        Está na hora de todos e cada um de nós assumirmos a responsabilidade que temos perante o mundo, e pela transformação moral do planeta. Até agora temos nos especializado em praticar uma virtude omissiva, limitando-nos a não fazer o mal, deixando de fazer o bem, ou cobrando de outros a prática do bem. Que tal começarmos nós mesmos a praticar ativamente as virtudes e atitudes que cobramos de todos que nos rodeiam?

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Além da Vida - o filme


Além da Vida
Hereafter

Gênero: Drama e Fantasia
Duração: 129 min.
Origem: Estados Unidos
Estréia 07 de Janeiro de 2011
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Peter Morgan
Distribuidora: Warner Bros.
Censura: 12 anos
Ano: 2010



SINOPSE

Além da Vida conta a história de três pessoas que são afetadas pela morte de maneiras diferentes. George (Matt Damon) é um operário norte-americano que tem uma conexão especial com o além. Em outro ponto do planeta, a jornalista francesa Marie (Cécile De France) acaba de passar por uma experiência de quase-morte que muda sua visão diante da vida. E quando Marcus (Frankie/George McLaren), um garoto londrino, perde uma pessoa muito próxima, ele começa uma procura desesperada por respostas. Enquanto cada um segue o caminho em busca da verdade, suas vidas se encontrarão e serão transformadas para sempre pelo que eles acreditam que possa existir, ou realmente exista - a vida após a morte.


O filme Além da Vida  - não confundir com o meloso e chato Amor Além da Vida - não é um filme espírita. O máximo que se pode dizer dele é que é um filme com temática espiritualista. Entretanto, ele é muito bem realizado e propicia mais reflexões do que os dois últimos filmes brasileiros de mesma temática, a saber: Nosso Lar e Chico Xavier.

Clint Eastwood é um grande diretor de atores. Isso tem ficado evidente a cada um de seus filmes. Matt Damon, Cécile De France e George McLaren tem suas vidas totalmente modificadas a partir do contato com a vida espiritual. 

As histórias de cada um dos personagens correm paralelas, até que no último terço do filme elas se interligam. 

Cécile De France é Marie uma jornalista de sucesso que está passando férias na Indonésia quando ocorre o tsunami que devastou a região e ela tem uma experiência de quase morte. Isso a leva a pesquisar sobre o assunto. 

Matt Damon é George um operário americano que tem mediunidade aflorada. No passado ele usou a mediunidade como profissão, algo que lhe trouxe muitos problemas - mas não aqueles que Kardec e os espíritos alertam na codificação. Seu principal problema foi que tantas pessoas o procuravam para ter contacto com seus entes queridos falecidos que ele não conseguia ter vida pessoal. 

George McLarem é Marcus um garoto de 12 anos que perde seu irmão gêmeo num acidente de carro e tenta de todas as formas ter contato com ele.

A espiritualidade na vida de tais pessoas não é um alívio, antes é um fardo. Ao pesquisar sobre o assunto Marie descobre o quanto o meio intelectual é preconceituoso a respeito. George é atormentado até hoje pelo irmão, para que retome a lucrativa carreira de médium. Marcus é um garoto inseguro, que se escondia atrás do irmão, e, na busca por um contato com seu espírito encontra pelo caminho todo tipo de picaretas e falsos médiuns. Em determinado momento suas vidas se cruzam e aí... (não vou contar o final do filme)

Uma coisa que quero esclarecer antes de continuar é que nos Estados Unidos a mediunidade é considerada uma profissão como outra qualquer.  Eles não seguem, em sua maioria, a doutrina espírita. Existem médiuns que trabalham para a polícia, que recebem de investigadores particulares, que fazem contato com espíritos falecidos, sempre a pagamento. Não existem muitos centros espíritas por lá, e os médiuns atuam sozinhos na maioria das vezes. 

Por isso George atuava como médium profissional, ganhando para por as pessoas em contacto com seus entes queridos. Seus problemas em relação a isso não são aqueles que os espíritos alertaram na codificação, mas de ordem diversa. Ele não se tornou fascinado ou obsidiado, nem passou a receber apenas comunicações de maus espíritos, nada disso. Seu principal problema é que tinha tantas pessoas a atender, se comovia tanto com seus dramas, que não conseguia ter vida pessoal. Para ele a mediunidade não é um dom mas uma maldição - frase que ele repete várias vezes durante o filme.

É muito interessante notar como seu irmão insiste para que ele retome a carreira de médium, e como ele se recusa de maneira decisiva a isso. Mesmo assim por três vezes ele atende a pessoas em busca de contato com entes queridos, todas as vezes de graça. É interessante também notarmos o que a comunicação mediúnica pode causar em pessoas que não estão preparadas para receber tais comunicações, especialmente quando o conteúdo é muito diferente daquilo que esperavam.

Fico imaginando quantos médiuns não estão na mesma situação de George. Mesmo aqueles que seguem a doutrina espírita, quantos dentre eles não gostariam de não ser médiuns? De não ter a responsabilidade de ser a ponte entre encarnados e desencarnados. Pois o que se vê no filme é que nós, os encarnados que suplicamos por um contacto, achamos que os médiuns tem obrigação de propiciar esse contato, suprir nossa saudade com uma mensagem, sem levarmos em conta que o médium é alguém como nós. Ele não é especial, ele também está encarnado, também tem família, amigos, trabalho, vida social. Ele é um ser humano comum no mundo. Não alguém à nossa disposição, nem ele nem os espíritos.

Marie por outro lado ao pesquisar sobre o assunto "além da vida" se depara com um mundo de pessoas racionais que pedem provas e as rejeitam. A única que a atende é uma psiquiatra, que explica que ela sofreu uma experiência de quase morte e que seu relato é similar a milhares de outros. A médica, que já havia realizado uma imensa pesquisa, cede à jornalista seus arquivos, que esta transforma em livro (do mesmo título do filme) o qual porém é rejeitado por sua editora - afinal ali só se publicam "livros sérios" nada de livros de espiritualidade e auto-ajuda.

Nesse ponto eu saí pensando a quanto tempo não se realizam pesquisas sérias de assuntos espíritas. Tirando Hermínio C. Miranda quem ainda realiza pesquisa científica no campo espírita? Não me lembro de ninguém. Será que não está na hora de se retomar de forma séria, sistematizada, a pesquisa científica espírita? Será que não está na hora da academia tomar para si esse encargo, mesmo que a revelia dos espíritas? 

Marcus por sua vez é um garoto inseguro, tímido, cujo irmão gêmeo faleceu. Na tentativa de superar sua perda ele tenta entrar em contacto com o espírito de Jason e se coloca ao alcance de vários "médiuns" mais fajutos que nota de R$3,00. 

Me lembrei aqui de vários "mediuns" que prometem trazer a pessoa amada em 3 dias, e até de alguns médiuns que atuam em centros espíritas cujas "mensagens" são ou animismo ou fraude pura. Lembrei da história da pessoa que foi ao CE e passou o nome de um "falecido" encarnado, tendo recebido a mensagem. Desmascarada a fraude - não há outro nome - o tal centro "espírita" passou a exigir atestado de óbito junto com o pedido de mensagem. É mais fácil pedir o documento que mudar o procedimento equivocado.

Como se vê, mesmo sem o rótulo de espírita, o filme presta um grande serviço ao espiritismo ao trazer tantos questionamentos para os que militam na área. É um filme que merece ser visto e refletido por todos aqueles que se dizem espíritas. 


PS: momento mulherzinha do post - Eu quero o cabelo daquela atriz! :)

domingo, outubro 31, 2010

Estou de Volta

Os últimos dois anos foram bastante ricos para mim em vários aspectos da vida. Inclusive o aspecto que se refere à espiritualidade.
Sempre fui uma pessoa bastante questionadora e que lida de forma ao mesmo tempo intuitiva e racional na área da espiritualidade. Intuitiva, pois muito do que sei, do que acredito, eu o faço sem tomar por base o conhecimento, uso muito minha intuição. De outro lado, paralela e de forma complementar, estudo muito o assunto, o que me leva a usar a razão para analisar os dados colocados à minha disposição pelos diversos autores, e doutrinas.
Esses questionamentos me levaram a me afastar do Espiritismo por um bom tempo. Embora entenda que ele é, até agora, o sistema doutrinário que melhor respondeu às minhas dúvidas, divirjo de alguns ensinamentos e explicações dadas por ele.
Por esse motivo hoje digo que sou Espiritualista e não mais Espírita. De qualquer modo, por ser uma estudiosa da Doutrina Espírita resolvi dar continuidade às atividades deste blog.
O Espiritismo sempre admitiu o questionamento embasado. Seu codificador e, até hoje, principal doutrinador, era alguém que nunca se furtou ao debate de idéias em relação à doutrina, ao contrário, entendia que o debate bem fundamentado poderia contribuir para a expansão e divulgação dos ensinamentos dos espíritos.
Outros espíritas também não se furtaram ao debate. Herculano, Deolindo, Cairbar, e tantos outros mantiveram debates, seja pessoalmente, seja por meio de jornais e revistas, com aqueles que queriam manchá-la, atacá-la ou deturpá-la. Todos contribuíram para sua divulgação, para sua manutenção, e esclarecimento de pontos obscuros ou que se tentou obscurecer.
Sempre gostei de ler, estudar, pensar e escrever sobre a Doutrina Espírita. Este blog nasceu do desejo de divulgar de forma simples, correta e clara a doutrina dos espíritos, que é ao mesmo tempo singela e profunda.
Por algum tempo as dificuldades de tempo dificultou a continuidade deste espaço. Depois, foram meus próprios questionamentos que me afastaram deste local aprazível. Agora, são os mesmos questionamentos que me fazem a ele retornar.
Quero questionar a Doutrina Espírita com aqueles que me dão o prazer da leitura.
Todavia, neste espaço, embora vá questionar alguns pontos da doutrina, e alguns comportamentos dos espíritas, tomarei o cuidado de questionar com respeito – que não se confunde com temor reverencial a quem quer que seja, encarnado ou desencarnado – e buscar as respostas dentro da doutrina, especialmente dentro da codificação.
A análise do livro “O Centro Espírita” que estávamos fazendo antes da interrupção dos trabalhos do blog, será retomada em futuro próximo. Antes voltarei com alguns textos, e posteriormente com a retomada do estudo do livro.



quinta-feira, janeiro 03, 2008

O Retorno do Blog

Amigos,
quando me mudei de São Carlos para São Paulo, uma das poucas coisas que perdi foi o livro "O Centro Espírita". Não tenho o hábito de ler pela tela do computador, e sempre preferi ler no papel onde posso sublinhar,anotar, etc. O livro já estava todo anotado, o que me ajudava nas postagens.

Tentei continuar usando o link do livro, e imprimindo cada capítulo, mas não foi possível.

Só na última semana eu, finalmente, consegui tempo para ir a uma livraria espírita e comprar um novo exemplar.

Desse modo daqui a 15 dias, em 17/1/2008, vou retomar a análise do livro O Centro Espírita, de onde eu parei.

Feliz Ano Novo a todos!!!!!

domingo, setembro 02, 2007

O CENTRO ESPÍRITA - CAPÍTULO II

OS SERVIÇOS DO CENTRO
O segundo capítulo começa com Herculano nos informando, de maneira sucinta, quais são os serviços de um Centro Espírita, tanto para os encarnados como para os desencarnados:

No desempenho da sua função, o Centro Espírita é sobretudo, um centro de serviços ao próximo, no plano propriamente humano e no plano espiritual. O ensino evangélico puro, as preces e os passes, o trabalho de doutrinação representam um esforço permanente de esclarecimento e orientação de espíritos sofredores de suas vítimas humana, que geralmente são comparsas necessitados da mesma assistência.


A seguir fala da importância do trabalho de assistência aos desencarnados, do trabalho mediúnico e da doutrinação. Lembra-nos que o Bem é contagiante, que se libertarmos um obsidiado na Terra também o faremos no mundo espiritual. E, cada espírito libertado pelo Bem será um assistente da grande batalha pelo esclarecimento geral:

Alegam alguns que os espíritos perturbados são assistidos no próprio plano espiritual. Mas Jesus, por acaso, deixou de assistir aos espíritos necessitados, aqui mesmo, na Terra?


Os espíritos desencarnados ainda apegados à matéria sentem maior segurança quando atendidos por encarnados.

As sessões espíritas de doutrinação e desobsessão provaram sua eficácia desde Kardec até os nossos dias, enquanto as opiniões contrárias não se firmam senão em opiniões pessoais, palpites deduzidos de falsos raciocínios, por falta de real conhecimento desse grave problema.


Centros espíritas bem orientados não se deixam levar por opiniões pessoais. Aqueles que acham que apenas os Espíritos Superiores deveriam ter permissão para se manifestar em sessões mediúnicas ignoram os objetivos assistenciais das mesmas, revelam seu próprio egoísmo e ignoram que tal pretenção afasta das sessões os espíritos que arrogantemente pretendem atrair, vez que Espíritos Superiores são atraídos por sessões mediúnicas que visam o Amor ao próximo e a prática do Bem.

As comunicações dos Espíritos Superiores são dadas no momento preciso, mesmo em meio do aparente tumulto das sessões de desobsessão. Ë muito agradável recebermos comunicações elevadas de Espíritos Superiores, mas só as merecemos depois de cuidarmos com atenção e abnegação dos Espíritos Sofredores. Quando recusamos essas oportunidades redentoras os Superiores se afastam e o campo fica aberto aos mistificadores, como o sabem, muitas vezes por duras experiências próprias, os que procuram acomodar-se na benção sem merecimento.


Trata a seguir dos serviços de assistência social.

Começa por colocar que os Centros Espíritas tem o dever da caridade, tanto a espiritula como a material.

Embora reconheça como ideal que o Centro Espírita auxilie organizações de assistência social de forma organizada, reconhece que em sua maioria os centros não tem condições de assim agir. Dessa forma devem praticar a caridade possível, no amparo aos necessitados.

O Centro Espírita é instrumento de ação imediata e age de acordo com as necessidades urgentes. Sem o atendimento a essas necessidades, as vítimas da injustiça social não poderão esperar as brilhantes realizações futuras. Como ensinou Kardec, devemos esperar que as utopias se tornem realidades, para depois as aceitarmos. As pessoas que censuram esse esforço de ajuda aos necessitados, defendendo ideais de reforma social, alienam-se da cruciante realidade em que vegetam os que não dispõem de meios para o próprio sustento.


Como se vê a caridade material é um dever espírita.

A evolução social depende da evolução dos homens, que constituem e formam os organismo sociais. E pelo exemplo de fraternidade e não pela violência que podemos melhorar o mundo.


Mais uma vez o exemplo do Amor é colocado como forma ideal de modificação social da Terra.

Por fim, encerra seus apontamentos sobre o assunto lembrando o quanto o auxílio à diminuição a miséria pode significar de auxílio eficaz na diminuição da violência.

A última parte do capítulo é dedicada aos trabalhos educativos do Centro Espírita. Especialmente nos trabalhos que visem a educação dos espíritos dos espíritas.

O espírita não pode pensar apenas na sua realidade imediata. A consciência de si mesmo na busca da transcendência é o objetivo do espírito.
O ser humano assume a responsabilidade da busca e só existe realmente superando as fases inconsciente do seu desenvolvimento, na medida exata em que sabe o que quer e porque o quer.


Assim como a conquista material do plano animal se transforma na conquista do conhecimento de si mesmo e do seu destino transcendente, todas as demais atividades do homem levam à consciência, o que dá ao ser a sua unidade. Consciente dessa unidade interna, o homem supera então a multiplicidade da sua própria estrutura e do mundo. Revela-se nele a centelha divina da sua origem espiritual. Ele compreende que é espírito e que esse espírito não pode desfazer-se morte, pois a sua essência é indestrutível e eterna. Esse é o momento espírita da redenção, em que o espírita capta a sua imortalidade em sua própria consciência e muda a 0maneira de ser diante do mundo ilusório e transitório.


Como se vê o serviço de educação do espírito, do conhecimento de si próprio é dos mais relevantes serviços que um Centro Espírito pode prestar.

Em resumo, Herculano nos leva às seguintes conclusões a respeito dos serviços do Centro Espírita.

Como se vê, o Centro Espírita é realmente um centro de convergência de toda a dinâmica doutrinária. Nele iniciam-se os neófitos, revelam-se os médiuns, comunicamse
os Espírito, educam-se crianças e adultos, libertam-se os obsedados, estuda-se a Doutrina em seus aspectos teóricos e práticos promove-se a assistência social a todos os necessitados, sem imposições e discriminações, cultiva-se a fraternidade pura que abre os portais do Futuro.


Finalmente, conclui de forma lapidar:

Os serviços mais urgentes de cada Centro são os de instrução doutrinária de velhos e novos adeptos, tanto uns como outros carentes de conhecimento doutrinário. Bem executado esse serviço, todos os demais serão feitos com mais facilidade.

O conhecimento doutrinário, o estudo constante, auto-conhecimento e aplicação prática de tais conhecimentos fazem com que haja real harmonia e união entre os frequentadores e trabalhadores do Centro Espírita e, isso leva realmente à facilidade na execução dos serviços.

quinta-feira, agosto 30, 2007

Peço descupa a todos pela interrupção dos estudos.
Fui transferida no emprego, e tive de providenciar mudança, me adaptar ao novo ambiente de trabalho e às suas novas condições.
O que fez com que eu precisasse diminuir meu tempo de internet e, também tivesse de reorganizar meus horários de estudo.

Neste final de semana retomarei o estudo do livro, com a postagem dos comentários do capítulo 2.

Espero continuar a contar com a atenção de vocês.

Beijos

Valéria

quarta-feira, junho 20, 2007

O CENTRO ESPÍRITA – CAPÍTULO 1

FUNÇÃO E SIGNIFICADO

O primeiro capítulo do livro trata, como seu título indica, da função e significado do centro espírita.

Podemos distinguir neste capítulo várias secções em que o autor descreve não só sua organização material como também suas funções no aspecto moral, educativo e científico, o que resulta na sua definição geral.

Segundo Herculano:
“Podemos figurá-lo como um espelho côncavo em que todas as atividades doutrinárias se refletem se unem, projetando-se conjugadas no plano social geral, espírita e não espirita.”


Segue, no mesmo parágrafo, lembrando a recomendação de Kardec de que é preferível vários centros espíritas pequenos e modestos a um só grande e suntuoso. Isso propicia a criação de um ambiente fraternal que atrai pessoas realmente interessadas no conhecimento doutrinário e fortalece a união do grupo em que todos são considerados colaboradores necessários.

A seguir afasta com decisão a objeção comumente levantada ao funcionamento de um centro espírita em casas de família, informando que tais grupos costumam ser mais coesos e harmônicos, como segue:
“Muitos Centros Espíritas surgiram do desenvolvimento de grupos familiais, desligando-se mais tarde da residência em que formara. A alegação de que a casa fica infestada ou coisas semelhantes é contraditada pela experiência. Um trabalho de amor ao próximo, feito com sinceridade e intenções elevadas, conta com a proteção dos Espíritos benevolentes e a própria defesa de suas boas intenções.. Os Centros oriundos de grupos familiares mostram-se mais coesos e mais abertos conservando e seiva fraterna de sua origem. É esse o clima de que necessitam os trabalhos doutrinários.”


Dentre as recomendações de ordem material destaco duas: a primeira quanto à que seja instalado preferencialmente em sede própria, ainda que modesta; a segunda pela definição em seus estatutos de suas funções como sendo:
“estudo e prática da Doutrina, divulgação e orientação dos interessados, serviço assistencial aos espíritos sofredores e às pessoas perturbadas, sempre segundo o Codificação de Allan Kardec. Sem Kardec não há Espiritismo”

Ressalta, nos parágrafos seguintes, a necessidade que dirigentes, auxiliares e freqüentadores de um centro espírita estudem e apliquem na casa espírita os ensinamentos de Kardec. Lembra ainda o perigo da vaidade e do orgulho para as atividades espíritas.

Nos parágrafos finais nos lembra que o Espiritismo é também ciência, inclusive no que tange ao estudo do Evangelho. E, da importância do centro espírita propiciar a real educação evangélica, com o uso da “pesquisa histórica das origens cristãs, o método analítico-positivo de estudo histórico e o método lógico-comparativo de textos.”


Prossegue nos lembrando que havia a prática do culto pneumático (mediunismo) nas primeiras comunidades cristãs, posteriormente suprimido quando da organização da igreja, como coisa diabólica.

Por fim, ressalta que tais coisas são normalmente estudadas num centro espírita bem organizado e define o significado de um:
“O Centro Espírita significa, assim, uma fortaleza espiritual da grande batalha para o restabelecimento da verdade cristã na Terra. Mas tudo isso deve ser encarado de maneira racional e não mística, no Centro Espírita. Ninguém está ali investido de prerrogativas divinas, mas apenas de obrigações humanas.”


A última frase, mais uma vez, servindo como alerta a todos, mas, especialmente a médiuns, dirigentes e trabalhadores a respeito do perigo da vaidade e do orgulho. Bem como a todos nós do perigo que envolve o trabalhador espírita que se crê investido de prerrogativas divinas e não de obrigações humanas.

quarta-feira, junho 13, 2007

O CENTRO ESPÍRITA - Introdução

Na introdução ao livro “O Centro Espírita” Herculano Pires começa por afirmar o desconhecimento da maioria dos espíritas sobre o significado real do Centro Espírita, conforme segue:

“Se os espíritas soubessem o que é o Centro Espírita, quais são realmente a sua função e a sua significação, o Espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da Terra. Temos no Brasil.
– e isso é um consenso universal – o maior, mais ativo e produtivo movimento espírita do planeta. A expansão do Espiritismo em nossa terra é incessante e prossegue em ritmo acelerado. Mas o que fazemos, em todo este vasto continente espírita, é um imenso esforço de igrejificar o Espiritismo, de emparelhá-lo com as religiões.
decadentes e ultrapassadas, formando por toda parte núcleos místicos e portanto fanáticos, desligados da realidade imediata.”


Tece a seguir severa crítica aos espíritas que organizam os centros nos moldes das antigas religiões cristãs organizadas, afirmando que se tornaram meras cópias das várias igrejas cristãs, com foco maior nas práticas místicas, na caridade material esmoler, na oração “pedinchona” e não na real melhoria íntima que advém do estudo e da prática da Doutrina.

Prossegue afirmando que:

“Jesus ensinou a orar e vigiar, recomendou o amor e a bondade, pregou a humanidade, mas jamais aconselhou a viver de orações e lamúrias , santidade fingida, disfarçada em vãs aparências de humildade, que são sempre desmentidas pelas ambições e a arrogância incontroláveis do homem terreno. Para restabelecemos a verdade espírita entre nós e reconduzirmos o nosso movimento a uma posição doutrinária digna e coerente, é preciso compreender que a Doutrina Espírita é um chamado viril à dignidade humana, à consciência do homem para deveres e compromissos no plano social e no plano espiritual, ambos conjugados em face das exigências da lei superior da Evolução Humana. Só nos aproximaremos da Angelitude, o plano superior da Espiritualidade, depois de nos havermos tornado Homens.”
(destaques meus)

Na seqüência nos informa que os espíritas estão, na linha evolutiva espiritual, em condições de alcançarem a angelitude, desde que tenham a necessária compreensão doutrinária e a vontade real e profunda que afeta toda a sua estrutura individual. O grande perigo é a ilusão do misticismo que muitas vezes causa a estagnação pessoal. A grande aliada a essa evolução é a razão.

Entretanto, Herculano também nos alerta que o cientificismo exacerbado é tão perigoso para a real compreensão doutrinária como o misticismo.

Por fim, no último parágrafo da Introdução, ele nos esclarece que o objetivo da obra é constituir-se em um estudo sobre “as origens, o sentido e sua significação no panorama atual”. Termina com um alerta muito importante:

“Os que desejam atualizar a Doutrina, devem antes cuidar de se atualizarem nela.”


Hoje, mais do que nunca, as palavras finais da introdução deste livro se mantêm atuais. Se a base doutrinária não fala de forma específica sobre assuntos ou situações inexistentes, ou pouco ventilados, há 150 anos atrás, nem por isso deixa de nos fornecer elementos para pensarmos sobre tais assuntos sob a óptica espírita. Portanto, urge que conheçamos, estudemos e apliquemos a base da Doutrina Espírita: Kardec.

Sandálias Semeadoras

O Centro Espírita nasceu
das sandálias de Jesus,
que nunca, nunca morreu
nem de lança, nem na cruz.

Jesus desapareceu
para os vaidosos da Terra,
mas logo reapareceu
para a gente de sua terra.

As sandálias de Jesus
nunca deixaram de andar,
sozinhas, cheias de luz,
para as trevas espantar.

Essas sandálias vazias
vão por caminhos e ruas,
sem festas nem fantasias,
sob sóis e sob luas.

Param humildes e calmas
na soleira de uma porta,
batem solas como palmas,
entram por baixo da porta.

Há desespero e aflição.
Quem sofre e geme lá dentro?
As sandálias já se vão,
mas fica na casa um CENTRO.

Este poema, de autoria de Herculano Pires, serve de epígrafe para o livro "O Centro Espírita" cujo estudo começamos hoje.

quarta-feira, junho 06, 2007

Biografia do Prof. José Herculano Pires

Como começaremos a analisar o livro "O Centro Espírita" do Prof. Herculano Pires, segue abaixo a biografia deste grande estudioso da Doutrina Espírita.

José Herculano Pires, nasceu na cidade de Avaré, no estado de São Paulo a 25/09/1914, e desencarnou nesta capital em 09/03/1979.



Filho do farmacêutico José Pires Correia e da pianista Bonina Amaral Simonetti Pires.

Fez seus primeiros estudos em Avaré, Itaí e Cerqueira César.

Revelou sua vocação literária desde que começou a escrever.

Aos 9 anos fez o seu primeiro soneto, um decassílabo sobre o Largo São João, da sua cidade natal.

Aos 16 anos publicou seu primeiro livro, "Sonhos Azues" (contos), e aos 18 anos o segundo livro, "Coração" (poemas livres e sonetos).

Já possuía seis cadernos de poemas na gaveta, colaborava nos jornais e revistas da época, da província de São Paulo e do Rio.

Teve vários contos publicados com ilustrações na Revista da Semana e no Malho.

Foi um dos fundadores da União Artística do Interior (UAI), que promoveu dois concursos literários, um de poemas pela sede da UAI em Cerqueira César, e outro de contos pela Seção de Sorocaba.

Mário Graciotti o incluiu entre os colaboradores permanentes da seção literária de A Razão, em São Paulo, que publicava um poema de sua autoria todos os domingos.

Transformou (1928) o jornal político de seu pai em semanário literário e órgão da UAI.

Mudou-se para Marília em 1940 (com 26 anos), onde adquiriu o jornal "Diário Paulista" e o dirigiu durante seis anos.

Com José Geraldo Vieira, Zoroastro Gouveia, Osório Alves de Castro, Nichemaja Sigal, Anthol Rosenfeld e outros promoveu, através do jornal, um movimento literário na cidade e publicou "Estradas e Ruas" (poemas) que Érico Veríssimo e Sérgio Millet comentaram favoravelmente.

Em 1946 mudou-se para São Paulo e lançou seu primeiro romance, "O Caminho do Meio", que mereceu críticas elogiosas de Afonso Schimidt, Geraldo Vieira e Wilson Martins.

Repórter, redator, secretário, cronista parlamentar e crítico literário dos Diários Associados. Exerceu essas funções na Rua 7 de Abril por cerca de trinta anos.

Autor de 81 livros de Filosofia, Ensaios, Histórias, Psicologia, Pedagogia, Parapsicologia, Romances e Espiritismo, vários em parceria com Chico Xavier, sendo a maioria inteiramente dedicada ao estudo e divulgação da Doutrina Espírita...

Lançou a série de ensaios Pensamento da Era Cósmica e a série de romances e novelas de Ficção Científica Paranormal.

Alegava sofrer de grafomania, escrevendo dia e noite. Não tinha vocação acadêmica e não seguia escolas literárias.

Seu único objetivo era comunicar o que achava necessário, da melhor maneira possível.

Graduado em Filosofia pela USP em 1958, publicou uma tese existencial: "O Ser e a Serenidade".

De 1959 a 1962, exerceu a cadeira de filosofia da educação na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara.

Foi membro titular do Instituto Brasileiro de Filosofia, seção de São Paulo, onde lecionou psicologia.

Foi presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo de 1957 a 1959.

Foi professor de Sociologia no curso de jornalismo ministrado pelo Sindicato.

José Herculano Pires foi presidente e professor do Instituto Paulista de Parapsicologia de São Paulo.

Organizou e dirigiu cursos de Parapsicologia para os Centros Acadêmicos: da Faculdade de Medicina da USP, da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, da Escola Paulista de Medicina e em diversas cidades e colégios do interior.

Fundou o Clube dos Jornalistas Espíritas de São Paulo em 23/01/1948. O Clube funcionou por 22 anos.

Herculano foi membro da Academia Paulista de Jornalismo onde ocupou a Cadeira "Cornélio Pires" em 1964.

Herculano pertenceu também a União Brasileira de Escritores, onde exerceu o cargo de Diretor e Membro do Conselho no ano de 1964.

José Herculano Pires foi Chefe do Sub-Gabinete da Casa Civil da Presidência da República no governo do Sr. Jânio Quadros no ano de 1961, onde permaneceu até a renuncia do mesmo.

Espírita desde a idade de 22 anos não poupou esforço na divulgação falada e escrita da Doutrina Codificada por Allan Kardec, tarefa essa à qual dedicou a maior parte da sua vida.

Durante 20 anos manteve uma coluna diária de Espiritismo nos Diários Associados com o pseudônimo de Irmão Saulo.

Durante quatro anos manteve no mesmo jornal uma coluna em parceria com Chico Xavier sob o título "Chico Xavier pede Licença".

Foi Diretor fundador da revista "Educação Espírita" publicada pela Edicel.

Em 1954 publicou Barrabás, que recebeu um prêmio do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo, constituindo o primeiro volume da Trilogia Caminhos do Espírito.

Publicou em 1975, Lázaro e com o romance Madalena concluiu a Trilogia.

Traduziu cuidadosamente as obras da Codificação Kardecista enriquecendo-as com notas explicativas nos rodapés.

Essas traduções foram doadas a diversas editoras espíritas no Brasil, Portugal, Argentina e Espanha.

Colaborou com o Dr. Júlio Abreu Filho na tradução da Revista Espírita. Ao desencarnar deixou vários originais os quais vêm sendo publicados pela Editora Paidéia.