quinta-feira, janeiro 25, 2007

O homem de bem

O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza.Se ele interroga sua consciência sobre seus próprios atos,pergunta se não violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desperdiçou voluntariamente uma ocasião de ser útil, se ninguém tem do que se queixar dele, pergunta, enfim, se fez aos outros tudo o que desejava que os outros fizessem por ele.

Tem fé em Deus, em sua bondade, em sua justiça, e em sua sabedoria; sabe que nada acontece sem a sua permissão, e submete-se à sua vontade em todas as coisas.

Tem fé no futuro; por isso coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.

Ele sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções, são provas ou expiações, e as aceita sem se lamentar.

O homem de bem, inspirado pelo sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperança de retorno; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte e sempre sacrifica o seu interesse pela justiça.

Encontra satisfação nos benefícios que distribui, nos serviços que presta, nas alegrias que proporciona, nas lágrimas que faz estancar, nas consolações que proporciona aos aflitos. Seu primeiro ímpeto é pensar nos outros, antes de pensar em si, é buscar o interesse dos outros antes do seu próprio. O egoísta, ao contrário, calcula as vantagens e as perdas de toda ação generosa.
O homem de bem é humano, é bom e benevolente para todo mundo, sem distinção de raças nem de crenças, porque vê irmãos em todos os homens.

Respeita todas as convicções sinceras nos outros, e não amaldiçoa aqueles que não pensam como ele.

Em todas as circunstâncias a caridade é o seu guia; reconhece que aquele que prejudica o seu semelhante com palavras maldosas, que fere a suscetibilidade de pessoas com o seu orgulho ou o seu desdém, que não desiste diante da idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, mesmo leve, quando poderia evitá-la, falta ao dever do amor ao próximo e não merece a clemência do Senhor.

Não tem ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, ele perdoa e esquece as ofensas, e só se lembra dos benefícios, porquanto sabe que será perdoado, assim como ele mesmo houver perdoado.

É indulgente para com as fraquezas dos outros, porque sabe que também necessita de indulgência, e se recorda destas palavras do Cristo: "Que aquele que está sem pecado lhe atire a primeira pedra".

Não sente prazer em procurar os defeitos dos outros, nem em colocá-los em evidência. Se a necessidade a isso o obriga, procura sempre o bem que pode atenuar o mal.

Estuda as suas próprias imperfeições, e trabalha incessantemente para combatê-las. Todos os seus esforços são empregados para que amanhã possa dizer que existe nele algo melhor do que na véspera.

Não procura fazer valer nem seu espírito, nem seus talentos a custa de outros; ao contrário, aproveita todas as oportunidades para fazer sobressair as qualidades dos outros.
Não se envaidece da sua fortuna, nem das suas vantagens pessoais, porque sabe que tudo quanto lhe foi dado pode ser retirado.

Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe que se trata de um depósito do qual terá que prestar contas; sabe também que o emprego que lhes pode dar, mais prejudicial para si mesmo, é o de utilizá-los para a satisfação das suas paixões.

Se a ordem social colocou pessoas sob a sua dependência, ele as trata com bondade e benevolência, porquanto, perante Deus, são iguais a ele. Usa a sua autoridade para lhes levantar o moral, e não para esmagá-los com o seu orgulho, e evita tudo o que poderia tornar sua posição subalterna mais penosa ainda.

A pessoa subordinada, por sua vez, compreende os deveres da sua posição, e tem escrúpulos em não cumpri-los conscienciosamente. (Ver cap. XVII, item 9.)

O homem de bem, enfim, respeita nos seus semelhantes todos os direitos que as leis da Natureza lhes concede, como desejaria que os seus fossem respeitados.

O que acabamos de expor não é a enumeração completa de todas as qualidades que distinguem o homem de bem, mas todo aquele que se esforça para possuir as que aqui foram citadas, está no caminho que conduz a todas as outras.
Allan Kardec in "O Evangelho Segundo o Espiritismo", capítulo XVII, item 3

14 comentários:

Priscila disse...

Esse texto é lindo. Tenho ele como a meta a atingir, como eu quero ser, pq tenho consciência de q estou muito longe disso ainda!

bjos

Valéria disse...

Prisoca, todos estamos. Kardec coloca uma meta alta mas, que quando atingirmos significará que realmente evoluímos.
Acho que quando todos atingirmos tal nível a terra passará por uma grande evolução.

mara disse...

Que lindo!
olha eu por aqui também :)
salvei em favoritos para ler sempre tá? abraço!

Paulo Renato disse...

A leitura desse texto, há uns 30 anos, emocionou-me até às lágrimas. Eu balbuciei: "é isso, é isso..." Naquela hora me reconheci espírita - não que fosse possuidor de todas aquelas virtudes, claro, mas por perceber que aquele era o caminho para felicidade, para o amor e para a paz no mundo.

Para mim não precisava existir mais texto algum, mais nenhum ensinamento, nenhuma palestra, bastaria (como se fosse fácil, eh eh) seguir a sabedoria dessas poucas linhas. Passei os 30 anos seguintes tentando. Acho que consegui um pouco.

Hoje já não sou tão radical, voltei a estudar, mas continuo achando que, sem aprendermos primeiro essa lição básica, as outras são praticamente inúteis...

glorinha disse...

Jesus quando veio até nós, agiu assim...não é fácil acompanhar seus passos, precisamos deixar nossos pesos no caminho, para esquecer-nos de nós mesmos,e... sermos felizes... dando o melhor de nós ...conseguiremos? começemos já! com os nossos pais , filhos amigos, vizinhos, e...de repente, seremos um homem de bem , sem notarmos!quem é virtuoso , não sabe!

Wilmington Lobo disse...

Estes assunto desenvolvido por Kardec com o auxilio dos nossos queridos mentores, me faz pensar nas primeiras reencarnações há 60.000 anos atrás, o que fizemos até hoje, e me vejo contabilizar apenas alguns passos. Se não tivessemos o suporte do mundo maior com certeza estariamos escondidos nas cavernas ou pior.

José Mauro disse...

Gosto muito deste texto e até ja fiz uma palestra sobre o tema. Lembro que estabeleci um paralelo entre este texto de Kardec e o Salmo 01 do Velho Testamento Biblico, onde o Rei Davi, provável autor, descreve a conduta do homem justo. Visite meu blog www.meuolharsobreavida.blogspot.com

Mara Valéria disse...

Acho que o Homem de bem mesmo é Jesus, mas nem por isso devemos desistir de tentar. Abraços a todos.

Anônimo disse...

Deixo aqui também registrado minha reflexão sobre o texto “O homem de bem”. Quero dizer que todas as vezes que leio fico muito sensibilizado e começo fazer uma analise da minha vida verificando se em alguma parte do texto consigo me ver. Sabemos que é difícil seguirmos estes ensinamentos mais se dermos um primeiro passo certamente evoluiremos para melhor.

Edu Hessen disse...

Obrigado! Parabéns pelo trabalho de divulgar essa ciência, doutrina, religião... Pai, filho e espirito santo da humanidade... :)

jose vicente disse...

jose vicente- estou lendo esta mensagem a 40 anos e ainda não consegui ser um homem de bem
mas ja senti que estou mudando para melhor

abraço a todos jose uberaba

Anônimo disse...

Na bíblia não tem nada disso. Não deem ouvidos a esse tal de Kardec e sim a palavra de Deus.

Marcial disse...

Agradeço a minha querida amiga Ana Cláudia por sua sugestão para leitura deste texto "O homem de bem", sou católico praticante e percebi no texto que temos um modelo a seguir: Jesus Cristo.

Em: disse...

O HOMEM DE BEM È O RESUMO DE TUDO QUE JESUS PREGOU.