terça-feira, abril 10, 2007

O Livro dos Espíritos - 150 anos

No dia 18 de abril de 1857 o Sr. Allan Kardec lançou a primeira edição de “O Livro dos Espíritos – Uma filosofia espiritualista”, originalmente com 518 perguntas. Assim, a próxima semana assinala o sesquicentenário do livro base da doutrina espírita.

Composto na forma de perguntas e respostas, dividido em quatro livros, sendo estes livros por sua vez divididos em capítulos, “O Livro dos Espíritos” trata de forma geral da doutrina espírita. Todos os assuntos que seriam posteriormente aprofundados nas demais obras de Kardec foram abordados n’O Livro dos Espíritos.

Aquele que desejar conhecer a doutrina espírita tem como caminho mais curto a leitura e o estudo do Livro dos Espíritos. Aquele que dela se aproxima com o intuito de estudá-la, tem nessa obra sua melhor introdução e roteiro geral. Pois, a partir dela é que foram escritas as demais obras que formam a base doutrinária do Espiritismo: O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, A Gênese e O Céu e o Inferno.

As 1019 perguntas e respostas fornecem o cabedal de conhecimento básico da doutrina espírita. Ler, reler, estudar com atenção esta obra é o mínimo que se espera de alguém que se denomine espírita.

Já o li por diversas vezes, e, a cada vez que o leio algo me surpreende. Sempre sinto como se fosse a primeira vez. O que indica a riqueza do livro, e sua qualidade. Apenas bons livros passam essa sensação. Apenas obras que tem o que dizer se renovam a cada leitura, mesmo século e meio depois de escritas.

A próxima semana será marcada por eventos, por palestras falando sobre este assunto, por textos em blogs, sites, listas de discussão, etc.

Entretanto, o que vemos nos centros espíritas e no movimento espírita brasileiro em geral é o descaso com a leitura da mais básica obra literária espírita. Não existem, na maioria dos centros espíritas, grupos de estudo e discussão sobre O Livro dos Espíritos. As escolas espíritas preferem usar apostilas e resenhas a usar o LE. Suas questões raramente são citadas por palestrantes, mesmo que a palestra verse sobre alguma das Leis Morais descritas em seu Livro Terceiro.

Quando se pede uma indicação, numa casa espírita, de um livro para se conhecer a doutrina o mais comum é a indicação de um romance, muito raramente se indica O Livro dos Espíritos.

Qual o motivo para isso? Essa pergunta sempre ecoa na minha cabeça.

Alega-se o mais das vezes, que a linguagem de O Livro dos Espíritos é difícil, antiga, pesada, que sua leitura é desagradável. Entretanto, essa afirmativa nada mais é do que uma desculpa esfarrapada. Não há diferença básica de linguagem entre O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo, ambos escritos por Kardec, em intervalo de tempo relativamente curto, de sete anos.

Tão pouco se pode alegar que O Livro dos Espíritos não seja lido por ser caro. No site da FEB encontramos o LE a venda por R$ 8,40, e por R$17,50 a edição especial. A título de comparação o livro “Há 2000 anos” um romance do espírito Emmanuel psicografado por Chico Xavier, custa, no mesmo site, em edição mais simples R$ 18,00 e em edição especial R$ 23,10. Livros da médium Zíbia Gasparetto, que constituem verdadeiros best selleres, são vendidos em média por R$ 27,00, conforme informações de seu site.

Para aqueles que dispõem de computador, e, gostam de ler através do monitor, o site do Grupo de Estudos Avançados Espíritas – GEAE disponibiliza gratuitamente a tradução feita por Herculano Pires, link abaixo:
http://www.geae.inf.br/pt/index.html

Seria a forma a causa dele não ser lido? De forma alguma, pois o Livro dos Espíritos foi escrito na forma de perguntas e respostas, dispostas de tal forma que a resposta de uma pergunta serve de gancho para a pergunta seguinte, propiciando um encadeamento de assuntos, de maneira muito lógica e didática. O que é natural uma vez que Allan Kardec exerceu durante toda a sua vida a profissão de educador.

Na verdade o que se verifica na prática é que O Livro dos Espíritos não é lido por que os espíritas tem preguiça de lê-lo, estudá-lo, pensá-lo, aplicá-lo. A tal ponto que existem médiuns e oradores espíritas que nunca o leram na íntegra.

Dessa ignorância da obra mais básica da doutrina espírita resultam os desvios doutrinários que se verificam em boa parte das casas, centros e federações espíritas no Brasil.

Urge que “O Livro dos Espíritos” seja colocado como base para a leitura, estudo e trabalhos espíritas. É urgente que se leia, e, principalmente que se estude e pense sobre seus ensinamentos. Não como um “estudo avançado”, como uma pós-graduação em Espiritismo – forma como muitas casas espíritas encaram tal obra – mas, como o primeiro passo para se conhecer o espiritismo. Como a obra principal a ser lida nas classes das diversas escolas dos centros espíritas. A “cartilha”, o “b + a = ba” do espiritismo.

Urge, mais que tudo, desmistificar “O Livro dos Espíritos” para os próprios espíritas.

Cabe a todos os espíritas conscientes esse trabalho. Todos os oradores, dirigentes de trabalhos, dirigentes de centros espíritas e federações colocarem “O Livro dos Espíritos”, seu estudo, na ordem do dia. Antes, que o espiritismo de espiritismo tenha apenas o nome.

4 comentários:

Claudia Fessôra disse...

Boa tarde, minha querida!
É muito bom mesmo estar aqui! Este espaço está maravilhoso.

Val, no CEBV temos o estudo semanal de O Livro dos Espíritos, além dos cursos básico, iniciação espírita e educação mediúnica. Temos também as palestras públicas em dois dias da semana, onde as obras básicas estão sendo comentadas.

Como comemoração estaremos fazendo palestra sobre o Livro dos Espiritos na edificação de um mundo melhor ( mesmo tema que Divaldo comentará em Brasilia dia 15/04), além da apresentação do filme Minha Vida na Outra Vida. (muito lindo este filme, amiga)

Bem, nem preciso comentar que concordo com a necessidade de amplos estudos desta obra, assim coo as demais básicas.

Chico comentava que assim que ele chegava ao final da leitura de O Livro dos Espiritos Emmanuel se apresentava e pedia para ele recomeçar. É por aí mesmo.

Lindona, estarei indo ao congresso em comemoração à data, em Brasilia. Vou na sexta e retorno no domingo. Depois te conto como foi.



Um mega super hiper beijo

Valéria disse...

Claudia, a situação do CEBV é uma exceção à regra, pois na maioria dos centros que conheço, tanto em SP capital, como aqui em São Carlos, O Livro dos Espíritos só é estudado após a conclusão dos cursos regulares básicos. O mesmo ocorre com as demais obras de Kardec.

Só pra vc ter uma idéia, quando concluí o Curso de Orientação e Educação Mediúnica (COEM), foi consenso entre todos os alunos do curso a sugestão para que os orientadores usassem mais o Livro dos Médiuns e menos as obras complementares.

Na casa que frequento, o estudo das Obras básicas é feito uma vez por semana, restrito a trabalhadores da casa e a pessoas que tenham concluído o COEM. O mesmo vejo se repetir em outros centros.

Nas palestras públicas, na maioria dos casos, as pessoas se restringem aos assuntos e temas abordados no ESE. E, sem fazer qualquer referência aos capítulos correspondentes às Leis Morais do Livro III do LE.

Nos últimos 11 anos, desde que conheci o espiritismo, já li, de cabo a rabo, pelo menos 5 vezes o LE, fora as consultas pra sanar dúvidas, que são quase diárias.

Bem lembrado o conselho de Emmanuel.

Este mês de abril será marcado pelo fato de todas as casas espíritas, especialmente na próxima semana, falarem sobre o LE.

O que espero é que além de falar demonstrem, na prática, a importância do livro. E, o resgatem permanentemente para estudos, palestras, etc. Não pode ser apenas um modismo, ou apenas um movimento de oba-oba por causa dos 150 anos.

Claudia Butterfly disse...

Pois é, Val. O que mais gosto no CEBV é o fato de que todos os responsáveis valorizam demais as obras básicas. Tem gente no estudo do Livro dos Espiritos que nunca fez nenhum outro curso na Casa. Sem problemas. Se a pessoa acha algo muito difícil, daí indicamos que faça tambem o básico, pois ajuda.

Sabe, em tudo a palavra equilíbrio vai muito bem.

Já eu sou suspeita porque para mim a obra que mais gosto de estudar é o Evangelho. Amo estudá-lo e explicá-lo. Mas tambem estudo o Livro dos Médiuns e dos Espiritos, com certeza. Aliás, para poder dar as aulas do Curso de Educação Mediúnica e do Básico eu preciso, invariavelmente estudar estas obras magnificas. Nem dá para ser diferente. E é regra na Casa: Toda aula precisa apresentar bibliografia e nesta deverá existir a consulta ao LE. Em todas as palestras e aulas colocamos questões do Livro e comentamos, fazendo ligação ao tema da noite.

Bom, acho que é mesmo este o melhor caminho.

Mas vale comentar aqui que certa vez o Sr Spártaco nos contou que no plano Espiritual as Casas são idealizadas antes de suas fundações (claro) e que cada uma apresenta uma tendência particular. Disse-nos ele que isso não é ruim, pois este tipo de 'especialização' traz nos bastidores a necessidade primordial da comunidade em que ela se insere, entende?

Por ex, o CEBV tem como objetivo a educação dos Espíritos. Não enfatizamos cura ou desobsessão. Claro que temos a fluidoterapia e as reuniões mediúnicas, mas a Divulgação da Doutrina é nosso objetivo primeiro.

E analisando a cidade vemos que é o ideal: Vinhedo é composta por cidadãos de bom poder aquisitivo, boa escolaridade e que têm condições de aprender e ensinar bem a Doutrina. Obviamente temos os 'assistidos da Casa', e para estes as quartas feiras apresenta o Evangelho em palestras e ajudas materiais abrangentes. Estes são uma minoria. Nas segundas feiras, nas palestras publicas (que lotam) e nos cursos somos procurados pelas pessoas de melhor condição social.

Daí compreendo quando vejo alguns CEs mais empenhados nas tarefas de cura ou na assistência fraterna que em outros setores...

Mas, como disse, acho que todos os CEs devem ter tudo o que é bom na Doutrina. Mesmo que o LE seja menos utilizado ele NUNCA deverá ser negligenciado. Isso nunca.

Um beijo, lindona e até segunda!!!

Thiago Salvio disse...

Concordo com você em sua criticas ou comentários a respeito do Livro dos Espiritos.Penso eu que,a melhor forma de estudá-lo seria realmente um grupo de estudos lendo-o,não como apostila mais sim como uma obra que precisa ser estudada,debatida e,sobretudo aplicada no dia a dia de todos nós.Infelizmente muitos dirigentes espiritas estão parados no tempo e no espaço achando que sabem tudo dando um péssimo exemplo aos espiritas em geral.Por menos importante que possa ser o Espiritismo,pelo menos nos consola com suas verdades e mata a nossa sede de saber e de aprender sem teorias malucas e também sem tolher nosso livre arbitrio.É a doutrina mais lógica já feita e realmente o Espirito de Verdade veio cumprir o que foi prometido pelo DivinoMestre:dar-nos ensinamentos a respeito do que ainda não poderia ser explicado pelo atraso do povo daquela época.Obrigado pelo espaço a mim concedido e fique com Deus e os espiritos superiores.