O primeiro capítulo do livro trata, como seu título indica, da função e significado do centro espírita.
Podemos distinguir neste capítulo várias secções em que o autor descreve não só sua organização material como também suas funções no aspecto moral, educativo e científico, o que resulta na sua definição geral.
Segundo Herculano:
“Podemos figurá-lo como um espelho côncavo em que todas as atividades doutrinárias se refletem se unem, projetando-se conjugadas no plano social geral, espírita e não espirita.”
Segue, no mesmo parágrafo, lembrando a recomendação de Kardec de que é preferível vários centros espíritas pequenos e modestos a um só grande e suntuoso. Isso propicia a criação de um ambiente fraternal que atrai pessoas realmente interessadas no conhecimento doutrinário e fortalece a união do grupo em que todos são considerados colaboradores necessários.
A seguir afasta com decisão a objeção comumente levantada ao funcionamento de um centro espírita em casas de família, informando que tais grupos costumam ser mais coesos e harmônicos, como segue:
“Muitos Centros Espíritas surgiram do desenvolvimento de grupos familiais, desligando-se mais tarde da residência em que formara. A alegação de que a casa fica infestada ou coisas semelhantes é contraditada pela experiência. Um trabalho de amor ao próximo, feito com sinceridade e intenções elevadas, conta com a proteção dos Espíritos benevolentes e a própria defesa de suas boas intenções.. Os Centros oriundos de grupos familiares mostram-se mais coesos e mais abertos conservando e seiva fraterna de sua origem. É esse o clima de que necessitam os trabalhos doutrinários.”
Dentre as recomendações de ordem material destaco duas: a primeira quanto à que seja instalado preferencialmente em sede própria, ainda que modesta; a segunda pela definição em seus estatutos de suas funções como sendo:
“estudo e prática da Doutrina, divulgação e orientação dos interessados, serviço assistencial aos espíritos sofredores e às pessoas perturbadas, sempre segundo o Codificação de Allan Kardec. Sem Kardec não há Espiritismo”
Ressalta, nos parágrafos seguintes, a necessidade que dirigentes, auxiliares e freqüentadores de um centro espírita estudem e apliquem na casa espírita os ensinamentos de Kardec. Lembra ainda o perigo da vaidade e do orgulho para as atividades espíritas.
Nos parágrafos finais nos lembra que o Espiritismo é também ciência, inclusive no que tange ao estudo do Evangelho. E, da importância do centro espírita propiciar a real educação evangélica, com o uso da “pesquisa histórica das origens cristãs, o método analítico-positivo de estudo histórico e o método lógico-comparativo de textos.”
Prossegue nos lembrando que havia a prática do culto pneumático (mediunismo) nas primeiras comunidades cristãs, posteriormente suprimido quando da organização da igreja, como coisa diabólica.
Por fim, ressalta que tais coisas são normalmente estudadas num centro espírita bem organizado e define o significado de um:
“O Centro Espírita significa, assim, uma fortaleza espiritual da grande batalha para o restabelecimento da verdade cristã na Terra. Mas tudo isso deve ser encarado de maneira racional e não mística, no Centro Espírita. Ninguém está ali investido de prerrogativas divinas, mas apenas de obrigações humanas.”
A última frase, mais uma vez, servindo como alerta a todos, mas, especialmente a médiuns, dirigentes e trabalhadores a respeito do perigo da vaidade e do orgulho. Bem como a todos nós do perigo que envolve o trabalhador espírita que se crê investido de prerrogativas divinas e não de obrigações humanas.
4 comentários:
Olá Val!
Então... os trechos q mais me chamaram atenção nesse capítulo foram: "é preferível vários centros espíritas pequenos e modestos a um só grande e suntuoso."
Realmente, percebo que em centros menores as pessoas são bem mais unidas... todos se conhecem e isso facilita a fraternidade e coesão do grupo.
Função do CE: "estudo e prática da Doutrina, divulgação e orientação dos interessados, serviço assistencial aos espíritos sofredores e às pessoas perturbadas, sempre segundo a Codificação de Allan Kardec"
Ainda bem q o centro q frequento tá dentro dessas funções!
"Ninguém está ali investido de prerrogativas divinas, mas apenas de obrigações humanas."
Após entrar na doutrina e começar a trabalhar na casa, muita gente deixa a vaidade falar mais alto, a se sentir melhores enquanto espíritas que outras pessoas de outras religiões, se sentem donos da verdade absoluta e por aí acabam se perdendo.
Vigilância é essencial independente de qto tempo temos de Espiritismo... sempre há algo mais a aprender!
Val, vc não vai mais postar aqui não??
bjs!
Muito interessante o texto, Val.
A minha maior questão em relação aos CEs é justamente essa "aura de divindade" q se manifesta muitas vezes através de rituais e posturas q querem dar aparência de "sobre-humano". Portanto, perfeita a frase:
“Ninguém está ali investido de prerrogativas divinas, mas apenas de obrigações humanas.”
Não é privilégio. Não quer dizer “ser especial”. Não torna seus trabalhadores melhores do q outros q trabalham pelo Bem de forma diferente. Humildade e consciência são muito importantes.
Mesmo pq, qto mais “normais” e menos “divinos” os trabalhadores e dirigentes de CEs aparentarem, maior será a empatia. E as pessoas vão deixando de acreditar em “mágicas”, partindo para o estudo e o trabalho duro – q é o q realmente importa.
Beijos.
Duas Priscilas comentando tem de ter cuidado ao responder pra não confundir uma com a outra.
Prisoca (Pri da Bahia)- vou sim, é que ando meio sem tempo, de mudança de São Carlos para São Paulo, com tudo que isso implica.
Que bom que o CE que vc frequenta tenha realmente como metas o estudo e a prática da doutrina. Em muitos essa meta é esquecida.
Os centros pequenos são realmente mais aconchegantes. Tentei uma vez frequentar um grande centro espírita em SP e não me dei muito bem. Fui formada num CE de bairro, de tamanho médio, conhecia os trabalhadores por nome, os frequentadores tb. Era muito mais pessoal, mais gostoso. Em São Carlos eu frequentava o mais antigo e maior centro da cidade, que no entanto era do tamanho do CE que eu frequentava em SP.
Voltei a SP e estou procurando outro CE para frequentar, e agora busco um outro CE pequeno, mais próximo à minha casa. Quero novamente um local onde possa conhecer a todos os trabalhadores e parte dos frequentadores. E acho que já encontrei,rs.
Pri Borbô como vc e a Prisoca comentaram o mesmo trecho, a frase final do capítulo, devo dizer que concordo com as duas.
A empatia entre trabalhadores e frequentadores, a humildade dos trabalhadores (médiuns, expositores, passistas, o pessoal da recepção) é essencial para estabelecer um contacto cordial, amistoso, respeitoso e hamônico entre todos. Sem criar barreiras artificiais. E isso só com muita vigilância.
Sem falar que sem a postura de "seres especiais" os médiuns dão exemplos muito maiores de que apenas o trabalho duro e o estudo poderão nos modificar para melhor, e resolver nossos problemas.
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