quarta-feira, junho 13, 2007

O CENTRO ESPÍRITA - Introdução

Na introdução ao livro “O Centro Espírita” Herculano Pires começa por afirmar o desconhecimento da maioria dos espíritas sobre o significado real do Centro Espírita, conforme segue:

“Se os espíritas soubessem o que é o Centro Espírita, quais são realmente a sua função e a sua significação, o Espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da Terra. Temos no Brasil.
– e isso é um consenso universal – o maior, mais ativo e produtivo movimento espírita do planeta. A expansão do Espiritismo em nossa terra é incessante e prossegue em ritmo acelerado. Mas o que fazemos, em todo este vasto continente espírita, é um imenso esforço de igrejificar o Espiritismo, de emparelhá-lo com as religiões.
decadentes e ultrapassadas, formando por toda parte núcleos místicos e portanto fanáticos, desligados da realidade imediata.”


Tece a seguir severa crítica aos espíritas que organizam os centros nos moldes das antigas religiões cristãs organizadas, afirmando que se tornaram meras cópias das várias igrejas cristãs, com foco maior nas práticas místicas, na caridade material esmoler, na oração “pedinchona” e não na real melhoria íntima que advém do estudo e da prática da Doutrina.

Prossegue afirmando que:

“Jesus ensinou a orar e vigiar, recomendou o amor e a bondade, pregou a humanidade, mas jamais aconselhou a viver de orações e lamúrias , santidade fingida, disfarçada em vãs aparências de humildade, que são sempre desmentidas pelas ambições e a arrogância incontroláveis do homem terreno. Para restabelecemos a verdade espírita entre nós e reconduzirmos o nosso movimento a uma posição doutrinária digna e coerente, é preciso compreender que a Doutrina Espírita é um chamado viril à dignidade humana, à consciência do homem para deveres e compromissos no plano social e no plano espiritual, ambos conjugados em face das exigências da lei superior da Evolução Humana. Só nos aproximaremos da Angelitude, o plano superior da Espiritualidade, depois de nos havermos tornado Homens.”
(destaques meus)

Na seqüência nos informa que os espíritas estão, na linha evolutiva espiritual, em condições de alcançarem a angelitude, desde que tenham a necessária compreensão doutrinária e a vontade real e profunda que afeta toda a sua estrutura individual. O grande perigo é a ilusão do misticismo que muitas vezes causa a estagnação pessoal. A grande aliada a essa evolução é a razão.

Entretanto, Herculano também nos alerta que o cientificismo exacerbado é tão perigoso para a real compreensão doutrinária como o misticismo.

Por fim, no último parágrafo da Introdução, ele nos esclarece que o objetivo da obra é constituir-se em um estudo sobre “as origens, o sentido e sua significação no panorama atual”. Termina com um alerta muito importante:

“Os que desejam atualizar a Doutrina, devem antes cuidar de se atualizarem nela.”


Hoje, mais do que nunca, as palavras finais da introdução deste livro se mantêm atuais. Se a base doutrinária não fala de forma específica sobre assuntos ou situações inexistentes, ou pouco ventilados, há 150 anos atrás, nem por isso deixa de nos fornecer elementos para pensarmos sobre tais assuntos sob a óptica espírita. Portanto, urge que conheçamos, estudemos e apliquemos a base da Doutrina Espírita: Kardec.

3 comentários:

Priscila disse...

Val, qdo começei a ler a introdução, a primeira coisa que pensei foi se o centro que frequentava era como os centros igrejivistas descritos no texto.

Até hj só frequentei 2 centros e eles são a única referência de CE que tenho.

Por isso, me perguntei, estarei eu frequentando um centro igrejivista?

Não consegui responder essa pergunta, para tanto seria necessário entender melhor o que é um centro místico e o que é um centro baseado nos ensinamentos de Kardec.

Creio que nos próximos capítulos o autor nos dê uma direção sobre isso.

De qq forma, me lembrei de uma reportagem que li recentemente sobre as divisões doutrinárias existentes no espiritismo. A reportagem falava do movimento espírita evangélico. Uma divisão que surgiu na doutrina e q busca focar a reforma íntima baseado na prática dos ensinamentos de Jesus, a caridade principalmente. Para tanto, os centros integrantes do movimento teriam suas palestras, passes e estudos padronizados. O frequentador do centro que desejasse se reformar intimamente faria 3 anos de curso sendo avaliado qto à prática da doutrina ao fim de cada ano. Atingindo os 3 anos, poderia ser elevado à categoria de discípulos de Jesus.

Assim, eu acho bom um curso que estimule a reforma íntima, mas acho quase impossível alguém se reformar totalmente ao fim de 3 anos e acho um estímulo à vaidade humana criar um título para isso. Talvez isso seja o início de um misticismo tbm.

bjos, priscila

Mythabons disse...

Val, por enquanto só queria dizer parabéns, muito bom o Blog.

Bjocas

Valéria disse...

Priscila, vou te responder de maneira bem simples, porém incompleta. Do contrário vc não terá necessidade de continuar acompanhando os estudos.
Se vc observar o que Kardec recomenda para as Sociedades Espíritas, como deve ser seu funcionamento, no capítulo 29 do LM, verá que a maioria dos CE não segue totalmente as recomendações.

Em sua maioria os CE de alguma forma se desviaram das recomendações de Kardec em algum ponto. Alguns se desviaram um pouco, apenas em pontos isolados, outros desviaram-se muito.

Se na Europa, de modo geral, o problema é um cientificismo exacerbado, que leva ao ceticismo e mesmo a quererem um Espiritismo sem espíritos. Se nos EUA o problema é a comercialização da mediunidade, com médiuns querendo receber, de forma contrária à doutrina. No Brasil o problema maior está no caráter excessivamente místico do nosso povo.

Isso faz com que muitos CE se comportem como algumas igrejas. Há culto a personalidades, fotos de "grandes vultos" que são venerados como "santos", falta de análise das comunicações pois os médiuns são, muitas vezes, considerados infalíveis, adoção de alguns "rituais", e tb a criação de verdadeiros dogmas estranhos à doutrina.

Quanto à questão da reforma íntima, ela, quando real, é decorrência da tomada de consciência da pessoa sobre seus defeitos. Trabalho diuturno, luta íntima. Realmente não pode ser ensinada. Precisa ser vivida. E, na maioria dos casos, é um trabalho do espírito que leva mais de uma encarnação.

Amanhã posto o comentário sobre o capítulo 1