Domingo, Setembro 02, 2007

O CENTRO ESPÍRITA - CAPÍTULO II

OS SERVIÇOS DO CENTRO
O segundo capítulo começa com Herculano nos informando, de maneira sucinta, quais são os serviços de um Centro Espírita, tanto para os encarnados como para os desencarnados:

No desempenho da sua função, o Centro Espírita é sobretudo, um centro de serviços ao próximo, no plano propriamente humano e no plano espiritual. O ensino evangélico puro, as preces e os passes, o trabalho de doutrinação representam um esforço permanente de esclarecimento e orientação de espíritos sofredores de suas vítimas humana, que geralmente são comparsas necessitados da mesma assistência.


A seguir fala da importância do trabalho de assistência aos desencarnados, do trabalho mediúnico e da doutrinação. Lembra-nos que o Bem é contagiante, que se libertarmos um obsidiado na Terra também o faremos no mundo espiritual. E, cada espírito libertado pelo Bem será um assistente da grande batalha pelo esclarecimento geral:

Alegam alguns que os espíritos perturbados são assistidos no próprio plano espiritual. Mas Jesus, por acaso, deixou de assistir aos espíritos necessitados, aqui mesmo, na Terra?


Os espíritos desencarnados ainda apegados à matéria sentem maior segurança quando atendidos por encarnados.

As sessões espíritas de doutrinação e desobsessão provaram sua eficácia desde Kardec até os nossos dias, enquanto as opiniões contrárias não se firmam senão em opiniões pessoais, palpites deduzidos de falsos raciocínios, por falta de real conhecimento desse grave problema.


Centros espíritas bem orientados não se deixam levar por opiniões pessoais. Aqueles que acham que apenas os Espíritos Superiores deveriam ter permissão para se manifestar em sessões mediúnicas ignoram os objetivos assistenciais das mesmas, revelam seu próprio egoísmo e ignoram que tal pretenção afasta das sessões os espíritos que arrogantemente pretendem atrair, vez que Espíritos Superiores são atraídos por sessões mediúnicas que visam o Amor ao próximo e a prática do Bem.

As comunicações dos Espíritos Superiores são dadas no momento preciso, mesmo em meio do aparente tumulto das sessões de desobsessão. Ë muito agradável recebermos comunicações elevadas de Espíritos Superiores, mas só as merecemos depois de cuidarmos com atenção e abnegação dos Espíritos Sofredores. Quando recusamos essas oportunidades redentoras os Superiores se afastam e o campo fica aberto aos mistificadores, como o sabem, muitas vezes por duras experiências próprias, os que procuram acomodar-se na benção sem merecimento.


Trata a seguir dos serviços de assistência social.

Começa por colocar que os Centros Espíritas tem o dever da caridade, tanto a espiritula como a material.

Embora reconheça como ideal que o Centro Espírita auxilie organizações de assistência social de forma organizada, reconhece que em sua maioria os centros não tem condições de assim agir. Dessa forma devem praticar a caridade possível, no amparo aos necessitados.

O Centro Espírita é instrumento de ação imediata e age de acordo com as necessidades urgentes. Sem o atendimento a essas necessidades, as vítimas da injustiça social não poderão esperar as brilhantes realizações futuras. Como ensinou Kardec, devemos esperar que as utopias se tornem realidades, para depois as aceitarmos. As pessoas que censuram esse esforço de ajuda aos necessitados, defendendo ideais de reforma social, alienam-se da cruciante realidade em que vegetam os que não dispõem de meios para o próprio sustento.


Como se vê a caridade material é um dever espírita.

A evolução social depende da evolução dos homens, que constituem e formam os organismo sociais. E pelo exemplo de fraternidade e não pela violência que podemos melhorar o mundo.


Mais uma vez o exemplo do Amor é colocado como forma ideal de modificação social da Terra.

Por fim, encerra seus apontamentos sobre o assunto lembrando o quanto o auxílio à diminuição a miséria pode significar de auxílio eficaz na diminuição da violência.

A última parte do capítulo é dedicada aos trabalhos educativos do Centro Espírita. Especialmente nos trabalhos que visem a educação dos espíritos dos espíritas.

O espírita não pode pensar apenas na sua realidade imediata. A consciência de si mesmo na busca da transcendência é o objetivo do espírito.
O ser humano assume a responsabilidade da busca e só existe realmente superando as fases inconsciente do seu desenvolvimento, na medida exata em que sabe o que quer e porque o quer.


Assim como a conquista material do plano animal se transforma na conquista do conhecimento de si mesmo e do seu destino transcendente, todas as demais atividades do homem levam à consciência, o que dá ao ser a sua unidade. Consciente dessa unidade interna, o homem supera então a multiplicidade da sua própria estrutura e do mundo. Revela-se nele a centelha divina da sua origem espiritual. Ele compreende que é espírito e que esse espírito não pode desfazer-se morte, pois a sua essência é indestrutível e eterna. Esse é o momento espírita da redenção, em que o espírita capta a sua imortalidade em sua própria consciência e muda a 0maneira de ser diante do mundo ilusório e transitório.


Como se vê o serviço de educação do espírito, do conhecimento de si próprio é dos mais relevantes serviços que um Centro Espírito pode prestar.

Em resumo, Herculano nos leva às seguintes conclusões a respeito dos serviços do Centro Espírita.

Como se vê, o Centro Espírita é realmente um centro de convergência de toda a dinâmica doutrinária. Nele iniciam-se os neófitos, revelam-se os médiuns, comunicamse
os Espírito, educam-se crianças e adultos, libertam-se os obsedados, estuda-se a Doutrina em seus aspectos teóricos e práticos promove-se a assistência social a todos os necessitados, sem imposições e discriminações, cultiva-se a fraternidade pura que abre os portais do Futuro.


Finalmente, conclui de forma lapidar:

Os serviços mais urgentes de cada Centro são os de instrução doutrinária de velhos e novos adeptos, tanto uns como outros carentes de conhecimento doutrinário. Bem executado esse serviço, todos os demais serão feitos com mais facilidade.

O conhecimento doutrinário, o estudo constante, auto-conhecimento e aplicação prática de tais conhecimentos fazem com que haja real harmonia e união entre os frequentadores e trabalhadores do Centro Espírita e, isso leva realmente à facilidade na execução dos serviços.

1 comentários:

Priscila disse...

Olá Val!

Que bom que voltou a postar aqui!

Então, pelo que entendi os serviços principais que um CE deve oferecer são: trabalho mediúnico e doutrinário dos desencarnados, assistência social e doutrinação de seus frequentadores, ou seja, dos espíritas. Tudo isso pode ser resumido como serviço ao próximo, seja encarnado ou não.

Se entendi errado, me corrija.

Com relação à doutrinação dos próprios espíritas, assim como o Herculano, acho fundamental. Mas, infelizmente, tenho visto algumas pessoas ditas espíritas, que já atingiram determinados cargos no CE, não participando de doutrinárias ou mesmo, grupos de estudo, sob a justificativa de que já fizeram muitos.

Acho que o conhecimento nunca acaba e, portanto, devemos estar estudando sempre.

Porém, a vaidade e o orgulho por vezes invandem nossa alma e, o que antes era um enorme entusiasmo com a doutrina se transforma num trabalho rotineiro, fonte de projeção no meio social-espírita.

Tristemente, eu percebo tbm o quanto estudam pouco a obra de Kardec. Recentemente estava procurando um grupo de estudo da obra Kardequiana e tive uma certa dificuldade em achar um. Vemos grupos estudando André Luis, Manoel Philomeno de Miranda, e outras obras secundárias no espirismo e Kardec continua desconhecido da grande maioria.

Não que não seja importante estudar as demais obras, acho importantíssimo e, inclusive começei na doutrina estudando André Luiz, mas não se pode contruir um edifício sem a base, portanto, formar grupos de estudo profundo de todas as obras de Kardec é fundamental.

Grande beijo,
Priscila